Fotógrafo açoriano, natural da ilha de Santa Maria, Pepe Brix vê agora o seu trabalho, intitulado "Código Postal: A2053N", exposto nas páginas da revista National Geographic Portugal, edição de Fevereiro. A matrícula do navio dá o mote para a apresentação de um trabalho fotográfico a bordo de um dos últimos navios portugueses de pesca longínqua, o Joana Princesa. Pepe embarcou assim durante três meses, mais precisamente cem dias, numa viagem que retrata, fotograficamente, a dura realidade dos homens do mar.

Construída em 1970, esta embarcação continua a desafiar os mares gelados do Atlântico noroeste, sendo uma das últimas que resistiu à substituição, no início do século XX, dos bacalhoeiros à vela pelos navios a motor. Com 33 tripulantes, oriundos da Torreira e Murtosa, estes homens realizam duas viagens por ano à Terra Nova, enfrentando durante oito meses as temperaturas negativas e o perigo de colisão com icebergues. Num artigo de catorze páginas, Pepe torna assim público o seu reconhecimento aos "lobos-do-mar", numa homenagem "à escala da sua coragem e da grandeza das suas vidas".

Este trabalho fotográfico estará em exposição a partir do próximo dia 27 de Março na Biblioteca Municipal da Vila do Porto, em Santa Maria, seguindo-se depois em Agosto outra exposição na Galeria Arco 8, em São Miguel. Do portefólio de Pepe Brix destaque para outras exposições que estiveram já disponíveis ao grande público: "Rumores para a transparência do Silêncio: Europa de Leste" (2009, Contagiarte, Porto); "Ensaio sobre o comprimento do Silêncio. Índia" (2012, Galeria Arco 8); "Nepal, a verticalidade do Silêncio (2013, Casa de Artes de Famalicão e 2014, Galeria Arco 8).

O projecto de fotografia de rua em viagem que começou a desenvolver em 2005 permitiu-lhe já percorrer a Europa, Estados Unidos da América, Peru, Equador, Nepal e Índia, sendo que o próximo trabalho se inicia já no próximo dia 1 de Maio, numa viagem de mota que pretende ligar Portugal à China, conjuntamente com outros três portugueses.