Iniciou-se na ilha de São Miguel mais uma romaria quaresmal, tradição específica desta ilha, e que representa uma das principais manifestações religiosas dos Açores. Com quase 500 anos de história, as romarias surgiram entre os anos de 1522 e 1563 como forma de pedir protecção pelos terramotos e erupções vulcânicas que arrasaram a ilha, especialmente as localidades de Vila Franca do Campo e Ribeira Grande. Passados todos estes anos, continuam a sair para a estrada, durante a época quaresmal, ranchos, constituídos apenas por homens que, durante sete dias, dão a volta à ilha, percorrendo em seu redor todas as igrejas e ermidas onde possam venerar a imagem de Maria, agradecendo e suplicando. Em cada localidade que param são acolhidos pelos paroquianos que lhes oferecem uma refeição e água quente para os pés, partindo no dia seguinte com um repasto para a próxima etapa.

Da indumentária do romeiro faz parte um xaile, uma bolsa de pano, um lenço para colocar sobre o xaile, um bordão e dois terços, um que se usa no pescoço e outro na mão. Ao longo dos anos estas peças foram ganhando simbolismos religiosos.

Estima-se que esta romaria tenha sido interrompida apenas uma vez. No início do século XX, entre 1921 e 1923, durante o governo civil de Horácio Franco, a ilha de São Miguel esteve sobre uma epidemia de gripe espanhola, e pensa-se que para evitar a fácil transmissão da mesma doença as romarias só tenham sido retomadas em 1929.

Este ano de 2015 serão 55 os grupos que irão participar nas romarias, sendo que dois deles são provenientes do Canadá. Estas 2500 pessoas irão utilizar também este ano, e pela primeira vez, uma fita azul que foi benzida pelo Santo Padre no passado dia 3 de Dezembro.

As romarias decorrem de 21 de Fevereiro a 2 de Abril, partindo depois da quarta-feira de cinzas e voltando até à quinta-feira santa, terminando assim cada rancho na sua igreja paroquial, no mesmo local de onde terá partido, com a saudação e alegria de todos os paroquianos, bem como com o desejo de para o ano regressar.