Fundado a 18 de Abril de 1835, hoje comemoram-se os 180 anos do jornal mais antigo do país, o Açoriano Oriental. Nascido e produzido em São Miguel, nos Açores, este é o periódico que se produz há mais tempo em Portugal e um dos dez mais antigos ainda em publicação também do mundo. Apesar de alguns percalços que possam ter surgido no caminho, o jornal mantém-se e é ainda uma das maiores fontes de informações sobre os açorianos e para os açorianos. Manuel António de Vasconcelos, natural da ilha, foi o impulsionador desta ideia. Político e jornalista, o homem que nasceu no Pilar da Bretanha decidiu fundar o jornal numa época em que o jornalismo vivia tempos dourados, tanto em Portugal como no estrangeiro. Nos anos de 1800 vivia-se no país o liberalismo e, como liberal que era, o fundador desta publicação associou também este projecto jornalístico às lutas políticas que se viviam em Portugal.

Criado para ser a voz das reivindicações de um povo, o Açoriano Oriental foi também um jornal de combate. O seu fundador concretizou a sua criação apenas quatro meses depois de ter sido promulgada a primeira lei sobre liberdade de imprensa no país, preceito este que viria a ser retirado por diversas vezes. Logo no seu primeiro número, Manuel António de Vasconcelos escreveu nas páginas do seu jornal o que hoje chamamos de estatuto editorial, que serviu para guiar a publicação.

Em Janeiro de 1979 a publicação passou a ter um carácter diário, sendo que durante toda a sua história sofreu diversas orientações. Hoje em dia o Açoriano Oriental, dirigido por Paulo Simões, segue uma linha editorial onde predominam os valores da liberdade, rigor e isenção política e económica. Com uma tiragem média diária que ronda os cinco mil exemplares, este jornal continua a ter como principal orientação "a livre administração dos Açores pelos açorianos", como é possível ler na apresentação do jornal.

Nesta edição comemorativa o jornal apresenta um conjunto de reportagens que fazem uma breve viagem pelos últimos 180 anos, sendo que as notícias da actualidade não são descuradas, num jornal que foi distinguido pelo Estado como membro honorário da Ordem do Infante D. Henrique, em 1989.