A atividade sísmica na Ilha do Faial, Arquipélago dos Açores, não pára de se fazer sentir. Só hoje, dia 1 de maio, e até às 19:33 horas locais (20:33 horas de Lisboa), já se registaram mais de seis dezenas de sismos, conforme regista a página oficial do IPMA-Açores. Esta é uma situação que parece não preocupar muito as autoridades açorianas. Já que até ao momento a Proteção Civil Açoriana, sediada na Ilha Terceira, não emitiu numa recomendação especial aos Bombeiros locais.

Fomos tentar perceber o que se está a passar e qual a gravidade da situação na Ilha do Faial, relativamente a esta atividade sísmica, junto do responsável do Observatório Geológico e Geotérmico dos Açores, Professor Vítor Hugo Forjaz. Segundo este especialista, a situação não é considerada grave, pois tratam-se de crises sísmicas normais. Também é verdade que o normal é existirem cinco a seis sismos de fraca intensidade por dia, e hoje o Faial já registou mais de sessenta. Trata-se de mais um dos muitos eventos localizados nas grandes fraturas geológicas situadas a poente do Faial.

A intensidade IV ocorrida hoje nas Lajes do Pico também foi assinalada em São Jorge e deve-se à presença de câmaras magmáticas sob essas ilhas. Tais massas provocam desvios das ondas sísmicas e consequentes anomalias de percurso". E o nosso interlocutor prosseguiu referindo que "mesmo assim, cientificamente não vejo preocupação para esta situação, embora pense que este processo não está a ser bem conduzido, pois existem algumas instituições a emitir comunicados, quando deveria ser apenas a Proteção Civil. Depois a RTP-A deveria informar com alguma regularidade a situação da Ilha, até porque a sua diretora já esteve cá a trabalhar no Faial. Mas não. Nada se diz aos açorianos".

O professor Vítor Forjaz foi dizendo que deveriam ser emitidos de 6 em 6 horas comunicados atualizados com mapas de localização da actividade, assim como a identificação de atividade similar noutros anos para comparação. "Não tenho poder militar nem político para o fazer, mas é o que deveria ser feito. E repito, é mau os comunicados serem enviados uma vez pelo IPMA, outras vezes pela Proteção Civil. Não consigo entender o porquê desta autêntica descoordenação".

Vítor Hugo Forjaz, fez questão de lembrar a crise de 1964, na Ilha de São Jorge, onde foram evidenciadas situações similares. Algo semelhante aconteceu com a crise em Maio de 1958, nesta mesma Ilha do Faial, e ainda a crise sentida em 1973 e no ano seguinte.

Bombeiros estão em sintonia com Proteção Civil

O comandante dos bombeiros do Faial referiu há minutos ao jornalista Souto Gonçalves, que acompanha a situação e que vai informando pelo seu Facebook, "que a corporação está "em sintonia" com o Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros dos Açores (SRPCBA) no que toca ao acompanhamento da situação sísmica que se desenvolve a oeste do Capelo. Sempre que ocorre um sismo, os bombeiros fazem um reconhecimento pela ilha para avaliar a eventual ocorrência de situações derivadas desses eventos. Até ao momento nada houve a registar".

Uma coisa é certa: a zona epicentral mantém-se a mesma e a magnitude dos sismos não tem ultrapassado, na sua larga maioria, o grau 3 da escala de Richter. #Catástrofes Naturais