A mulher e a criança que foram encontrados carbonizados no interior de um automóvel, no concelho da Ribeira Grande (Açores), ainda estavam vivas quando eclodiu o fogo no veículo. A informação é prestada por fonte da Polícia Judiciária citada pela agência Lusa. Os inspectores excluem, para já, que tenha havido a participação de terceiros naquela trágica ocorrência.

De acordo com a agência noticiosa portuguesa, a convicção da Polícia Judiciária, após “múltiplas diligências” e recolha de “um conjunto de indícios”, é que “não terá existido intervenção de terceiros”. Por outro lado, adianta que a autópsia efectuada aos cadáveres das vítimas relevou que estas “ainda estavam vivas” no momento da eclosão do fogo no automóvel.

O caso remonta ao início da tarde da passada segunda-feira, 27 de Junho, quando os Bombeiros Voluntários da Ribeira Grande receberam um alerta para viatura a arder numa zona de difícil acesso, de terrenos agrícolas, na localidade de Boavista, em Rabo de Peixe, na ilha de São Miguel. Quando os operacionais chegaram ao local depararam-se com o automóvel tomado pelas chamas. Só após a extinção do incêndio é que os bombeiros conseguiram detectar a existência de dois cadáveres carbonizados, no banco de trás do veículo. Veio a saber-se que os corpos pertenciam a uma mulher de 40 anos e ao seu filho de apenas 3 anos.

Hoje, quinta-feira, 30 de Junho, a Polícia Judiciária referiu à agência Lusa que a causa mais provável para aquela ocorrência terá sido a decisão da mulher em se matar na companhia do filho, depois de o Tribunal ter decidido por uma guarda partilhada da criança entre a mãe e o pai, depois do divórcio do casal. A mulher não terá conseguido aceitar aquela decisão judicial. O juiz presidente do Tribunal Judicial da Comarca dos Açores esclareceu à Lusa que foi decretada uma “nova regulação” das responsabilidades parentais, no âmbito de um acordo entre as partes, após o pai ter interposto um procedimento judicial contra a mãe, alegando incumprimento das obrigações estabelecidas por ocasião do divórcio. Tendo em conta que o pai não via o filho “há mais de dois anos”, a nova regulação previa alterações no regime de convivência entre filho e pai. O magistrado adianta que “em nenhuma ocasião” foi detectado qualquer indício de que a mãe poderia reagir contra aquela decisão, muito menos a protagonizar uma situação trágica como a que veio a acontecer. #Justiça #Crime