A conhecida Rádio Voz do Neiva, localizada em Vila Verde, distrito de Braga, foi vandalizada na última quinta-feira, dia 8 de Janeiro. Entre os equipamentos destruídos constam mesas de mistura, microfones, auscultadores e computadores, o que levou à interrupção imediata da emissão. A notícia só agora veio a público por não existir, à partida, qualquer ligação com a situação do jornal francês, Charlie Hebdo. Ao que consta, no momento do ataque apenas um trabalhador se encontrava nas instalações da rádio regional, que quando se apercebeu do incidente já foi tarde de mais, pois os indivíduos já estariam em fuga.

Segundo o funcionário, o acto foi executado por dois homens, com o apoio de um terceiro. Para já existem pelo menos dois suspeitos, estando o caso nas mãos da GNR de Vila Verde. Fontes contactadas pelo jornal Sol dizem tratar-se "de um claro ataque à liberdade de expressão", não tendo qualquer ligação com os acontecimentos trágicos ocorridos estes dias na França. Recorde-se que a sede do polémico jornal Charlie Hebdo, em Paris, que no passado publicou caricaturas referentes à figura religiosa de Maomé, foi recentemente alvo de um ataque terrorista que resultou na morte de 12 pessoas.

Desde então, tem sido a notícia principal em todos os meios informativos. Nas redes sociais verifica-se uma onda gigantesca de solidariedade com as pessoas a substituírem a sua foto de perfil por quadrados negros com a frase: " Je suis Charlie", tendo inclusive muitos órgãos de comunicação demonstrado a sua solidariedade em prol da liberdade de expressão. Mesmo depois destes acontecimentos trágicos, os sobreviventes garantem que na próxima quarta-feira, dia 14 de Janeiro, o jornal Charlie Hebdo vai para as bancas com um milhão de exemplares, contra os habituais 60 mil, com oito páginas, em vez de 16. A equipa tem recebido o apoio do Canal+ e do Le Monde, que se mostram dispostos a oferecer dinheiro e a ceder alguns dos seus funcionários para que a publicação continue no activo. Neste momento, o que restou da redacção encontra-se a trabalhar provisoriamente nas instalações do Libération. Entretanto, a Al-Queda já veio reivindicar a autoria do atentado.