Começa esta segunda-feira, em Braga, o julgamento do caso que chocou a cidade e que levou à morte de Adélia Ribeiro mais de um mês depois do trágico acontecimento de violência doméstica. O marido, arguido e acusado de #Crime de homicídio qualificado, incendiou a mulher na cabeça e no tronco com álcool etílico à porta do apartamento na Rua dos Congregados, em Braga. Adélia é agora nome de rua em Braga, numa ação promovida pela câmara local para não esquecer as vítimas de violência doméstica.

Tudo aconteceu no dia 17 de agosto, logo pela manhã. Francisco Oliveira Ribeiro, depois de ter pegado fogo à mulher, terá ido calmamente para a cozinha tomar o pequeno-almoço. Adélia Ribeiro, de 50 anos, que veio a falecer 44 dias depois, contorcia-se com dores e, apesar de ajudada pela filha - que se deitou sobre ela para tentar extinguir o fogo - teve de ir para o chuveiro apagar as chamas.

"Agora já estou vingado", terá dito ainda o agressor, depois de tomar o pequeno-almoço e ao passar por Adélia. Segundo o Ministério Público (MP), os "ciúmes" terão estado na origem do caso extremo de violência doméstica.

O caso terá sido mesmo premeditado pelo marido de Adélia, que no dia anterior foi a um hipermercado comprar uma garrafa de álcool e um isqueiro. Quando a mulher, funcionária do Hospital de Braga, entrava para o elevador do prédio, com uma filha de 16 anos, ateou-lhe fogo.

Segundo acusação, Adélia ficou completamente queimada na cabeça e na parte superior do corpo, no abdómen e nos braços, com a pele pendurada e sem cabelo. A vítima ainda foi socorrida pelo INEM e mais tarde transferida para Unidade de Queimados do Hospital da Prelada, no Porto, com queimaduras de 2.º e 3.º grau. Não resistiu e morreu 44 dias depois do ataque de que foi alvo.

O arguido está preso preventivamente. Para além da acusação de homicídio qualificado, é acusado de violência doméstica. As agressões eram mesmo constantes. "Insultava-a com frequência e agredia-a, tendo-lhe dado, em julho, um murro na cabeça, gritando: vou-te matar!", lê-se na acusação. Noutra ocasião foi agredida na cabeça com uma fruteira.

Os vizinhos viviam alarmados com a violência que protagonizava e que obrigou à chamada da PSP por diversas vezes. Francisco Ribeiro era proprietário de um café no bairro, estava desempregado e vai ser julgado por um tribunal coletivo. #Justiça