Militares da GNR de Braga estão indignados com anulação de folgas pelo comando do Destacamento Territorial, três dias antes da prova automobilística "Rampa da Falperra" a que são obrigados a prestar serviço. Apesar do trabalho ser gratificado, há militares que supostamente não o vão ser pois foram desviados para a rotina operacional da GNR. A Associação dos Profissionais da Guarda (APG) já denunciou a situação ao comando central de Lisboa da GNR.

Por entre vários casos em que a vida pessoal dos militares da GNR fica afetada, há guardas que vão ter que faltar a casamentos marcados há meses. “Outros estão há cinco semanas sem folga ao fim de semana. É uma situação inadmissível”, diz Paulo Pinto, representante da zona norte da APG, indicando que "não é a primeira vez que ocorre" e que será mais grave durante a competição internacional Rally de Portugal. “Aí vai afetar todos os militares da GNR dos distritos de Braga, Vila Real, Viana do Castelo e Porto”, frisa, acrescentando que “este é o resultado de uma portaria que não está regulamentada”.

Em causa está o descanso pessoal, havendo mesmo militares a trabalhar semanas seguidas. “E nestas provas estão ali 14 a 18 horas. É desumano e não respeita os guardas”, frisa Paulo Pinto, lamentado que esta situação acontece porque o Governo teima em não definir a lei para que os guardas tenham horário. “É quase um contra-senso. Nós temos que zelar pela lei e o Governo não cumpre. É uma situação que inclusive está nas barras dos tribunais”, diz Paulo Pinto. Apesar destes serviços serem gratificados para os militares da GNR, Paulo Pinto refere que são “mal pagos, tarde e a más horas”. “Há situações em que o guarda espera mais de um ano pelo pagamento”, informa.

Fonte do Comando da GNR de Braga confirma a queixa da APG. “Fizeram aqui uma exposição. No entanto é importante frisar que esta situação é extraordinária. É um serviço requerido à GNR e temos que recorrer a militares que estão de folga. Isto acontece este fim-de-semana com a Rampa da Falperra, assim como vai acontecer com o Rally de Portugal”, referiu o comando da GNR de Braga, indicando que o serviço é sempre gratificado.

“A folga será restituída”, disse a mesma fonte, não confirmando a existência de casos de militares que estariam de folga e que vão fazer serviço de ocorrências. “Temos que ver caso a caso. Mas se houver, os militares em causa podem sempre expor a situação”, disse fonte do comando da GNR de Braga.  #Polícia