O homem de 42 anos que durante cerca de quatro anos fez-se passar por padre e presidiu a casamentos, baptizados, funerais e missas um pouco por todo o país, viu agora o Tribunal da Relação de Guimarães a anular a decisão do Tribunal Judicial de Braga, que o condenou a três anos e três meses de prisão pelos crimes de furto e burla qualificados. Agostinho Caridade assumia-se como padre Luís e até chegou a celebrar um casamento na Sé de Braga.

Na altura da sua detenção, em 2013, a Polícia Judiciária classificou-o como um "burlão muito inteligente" e com "histórias bem engendradas". O Tribunal da Relação entendeu que a prova dos alegados factos cometidos não são suficientes para considerar Agostinho Caridade como autor dos mesmos.

O homem, natural do concelho de Barcelos, foi julgado pelo Tribunal de Braga por ter realizado celebrações religiosas, como missas, casamentos, baptizados e funerais, sem estar habilitado para o efeito. Também estava imputado pelo crime de furto de duas imagens de arte sacra avaliadas em 7.500 euros, bem como por burla a um reitor de uma igreja de Braga de quem conseguiu um empréstimo de 7.200 euros alegando destinar-se ao tratamento de um familiar no estrangeiro.

A defesa de Agostinho Caridade recorreu da condenação para o Tribunal da Relação de Guimarães que agora decidiu absolvê-lo. Os juízes da segunda instância consideraram que os elementos de prova levados ao julgamento "não permitem a conclusão" de que o arguido fosse o autor do furto das imagens sacras. O facto de ter sido encontrado a vendê-las num estabelecimento comercial em Braga não foi suficiente para que o tribunal o considere autor do furto, referindo que "tanto pode ser o ladrão a vender pessoalmente o produto do furto que cometeu, como pode ser também terceira pessoa a fazê-lo, a pedido daquele".

Quanto à imputação do crime de burla, o mesmo tribunal entendeu que também os elementos de prova não demonstram que houve intenção de obter enriquecimento ilícito. "Para obter um empréstimo, pode alguém apresentar mentiras ao mutuante para o conseguir, mas mesmo assim ter intenção de o restituir", escreveram os juízes no acórdão. #Justiça