Pouco passava da meia-noite, no verão de 2010, quando a pacata freguesia de Minhotães, no concelho de Barcelos, acordou sobressaltada com o barulho de uma motosserra a embater contra muros e portões, isto durante cerca de meia hora e percorrendo várias ruas. Era José Costa, desempregado, com 40 anos, e que habitualmente faz biscates como madeireiro, mais conhecido na região como Fanfana, o terror da aldeia. Natural da freguesia de Chavão, em Barcelos, este barcelense mora agora em Cavalões, concelho de Vila Nova de Famalicão, e já se envolveu em alguns confrontos com vizinhos, havendo troca de agressões com recurso a caçadeira, nomeadamente com uma família de etnia cigana que acabou por ter de mudar de residência após várias ameaças e confrontos.

Fanfana é assim. Um livro cheio de histórias sempre à margem da lei, saindo quase sempre impune. É, aliás, frequente ouvi-lo nos cafés e estabelecimentos públicos da zona a gabar-se dos seus feitos, inclusive mencionando o momento em que foi ao posto da PSP de Vila Nova de Famalicão resgatar o seu veículo, depois de ter sido apreendido numa situação de roubo. No entanto, a PSP não confirmou esta situação. Contudo, são vários os relatos de populares nas freguesias de Cavalões e Minhotães que dão jus ao mito que este fora-da-lei se tornou. Contudo, o seu destino está praticamente traçado, faltando apenas saber a data.

Um empregado de um estabelecimento comercial que abriu recentemente na freguesia diz que José Costa costuma ir lá consumir álcool, e que tenta quase sempre alguma manobra para sair sem pagar. Esse empregado já chegou a ter que lhe "amarrar os colarinhos" por mais do que uma vez. Também José Rodrigues, habitante de Cavalões, testemunhou um dos actos desta personagem. "Uma noite, pouco passava das 22h, passei na estrada nacional, e vi um vulto a rebolar por um morro, numa zona de restaurantes que se encontravam fechados", disse José Rodrigues, revelando que o vulto era o Fanfana. De acordo com o seu relato, Fanfana "vinha a rebolar o morro com alguns panelões de cozinha atrás. Percebi logo o que se passava, e chamei o 112 e alertei que era uma possível situação de furto. No entanto, foi para o hospital e inventou uma história qualquer. Os panelões ficaram lá no mesmo sítio".

No Café Tropical, em Cavalões, várias testemunhas confirmam o que se passou numa noite de verão, em 2014. Fanfana chegou para tomar o seu café e jogar às cartas, mas deixou o carro mal estacionado, bloqueando a saída a outros veículos. Quando o dono de um desses carros pretendia sair, foi pedir a Fanfana que retirasse o veículo, ao que ele lhe respondeu negativamente, insultando-o. Dessa vez, Fanfana também não levou a melhor, e acabou no hospital, depois de levar com uma cadeira na cabeça.

Automóveis, galinhas, cobre... tudo serve de pretexto para que em Cavalões não se deixe nada na rua, enquanto por lá viver o malfeitor, que, ano após ano, vai saindo impune, acumulando queixas na justiça. No entanto, segundo fonte policial local, mais tarde ou mais cedo o sujeito irá para trás das grades. Por agora, vai alimentado o mito. #Crime