Chama-se Black Rot, ou Podridão Negra, e é a doença que está a deixar os produtores vinícolas com os nervos em franja. Nas Terras de Basto esta doença volta a afectar a produção do vinho verde, depois de no ano anterior ter devastado grande parte da produção de algumas vinhas. A doença é originária dos Estados Unidos e, segundo o Ministério da Agricultura, começou em Portugal a afectar a Região da Bairrada e, já em 2009, a Região do Dão. Nos últimos anos, está a prejudicar a Região de Basto e 2015 está a revelar-se devastador.

Um produtor vinícola de Cabeceiras de Basto partilhou com a Blasting News que este cenário não é novidade, mas não deixa de ser desolador. "Quem vive da agricultura sabe que está sempre dependente de outros factores. Por muito que uma pessoa trabalhe, sabe que basta uma trovoada para destruir todo o trabalho de um ano. Mas como isto nunca vi", contou o agricultor, sexagenário, sobre o Black Rot.

Não é a primeira vez que este homem vê a sua produção afectada. Em 2014, em meados de Julho, sentiu os primeiros sintomas no seu vinho. Começou por notar uns bagos escuros, numa tendência crescente, no prazo de poucos dias. De dez pipas de vinho branco colhidas em 2013, este agricultor nem duas pipas de vinho apanhou em 2014, na pior colheita de sempre, em décadas de vindimas.

Além da pouca produção, também a qualidade saiu afectada. Neste ano, o Black Rot "atacou" mais cedo. Foi na última semana de Junho que este produtor notou os primeiros sintomas. Uns bagos escuros que prontamente tratou. Este homem acredita ter conseguido "estancar a ferida": "Parece-me que com o novo tratamento as uvas negras já secaram, mas o restante vinho está são".

Também em Fermil, Celorico de Basto, um produtor de vinho já está alertado para a doença. "Eu conheço o Black Rot há alguns anos. O primeiro contacto foi numa Conferência em que fui convidado, em Viseu. Anos depois, apareceu-me nas vinhas. Agora já me antecipo sempre com os tratamentos. Mas não resolve por completo e não é definitivo. Anda sempre aqui a rondar pelas vinhas. Isto é a maior praga que nos apareceu na região", conta o homem que tem uma grande produção de vinho. Em Cerva, Ribeira de Pena, um agricultor ainda não acredita no que aconteceu: "Andei a sulfatar tudo e pouco mais de uma semana depois voltei lá e não tinha um único cacho. Tudo seco".

Numa casa agrícola, um engenheiro vinícola contou à Blasting News que nunca foram tão procurados por causa desta doença: "Chegam-nos pessoas de todos os lados, com cachos negros, a pedirem-nos ajuda, desesperados". Este engenheiro tem aconselhado as pessoas a seguir um tratamento específico que parece travar a progressão da doença. "Se não forem tratadas, 80% da produção pode ficar comprometida", garante.

Os primeiros sintomas desta doença não são facilmente identificados, uma vez que não parecem prejudiciais. Umas manchas castanhas nas folhas das vides indiciam o mal que se aproxima. "Essas manchas já são o Black Rot. Mas não significa que vá passar para os cachos. Geralmente é a chuva e a humidade que faz com que a doença passe para os bagos. O melhor é optar sempre pela prevenção e apercebendo-se das manchas nas folhas devem tratar a vinha de imediato", explica o engenheiro. #Negócios #Natureza