Chegou ao fim o caso em que uma comerciante pagou, com um cheque "careca", vários trabalhos de alfaiataria,  roupas e calçado, em Lisboa. Mas foram necessários 16 anos para que o caso tivesse uma resolução final. Decidiu o Tribunal de Braga que a arguida pague uma indemnização, com juros, à empresa de alfaiataria, num valor de 8 113, 45 euros. A decisão final saiu nesta terça-feira, quando passam já 16 anos sobre o episódio, que terá lesado, sobremaneira, a firma lisboeta, até porque entre 1999 e 2015 não foi só a moeda que mudou em Portugal mas também o valor comercial das peças sofreu alterações, consideraram os lesados. 

O caso aconteceu em Março de 1999, quando uma empresária de Vila Nova de Gaia se deslocou a Lisboa, em negócios. A mulher terá adquirido roupas e calçado numa conceituada alfaiataria com colecções de marca, no valor de 1 870 500 escudos, segundo informações do Correio do Minho. Para pagar todos os produtos adquiridos, a mulher utilizou um cheque "careca". Dois dias depois, um elemento da firma de Lisboa tentou depositar o cheque numa dependência bancária de Braga. Sem sucesso. O cheque não tinha cobertura e o pagamento ficou sem efeito. 

Depois disso, foram anos de tentativas frustradas para resolver o caso. Depois de participar o sucedido ao Ministério Público, a empresa de alfaiataria não mais conseguiu do que provar que a empresária de Gaia os tinha lesado, com a prática do crime de emissão de cheque sem provisão. O processo continuou a decorrer, com a empresa lesada a exigir o pagamento do valor das mercadorias acrescido dos juros de mora à taxa legal. 

A arguida ainda devolveu algumas peças de roupa, no valor de 243 900 escudos, o que diminuiu o valor da dívida. E assim se chegou ao valor de 8 113, 45 euros (1 626 600 escudos, na moeda antiga, quando aconteceu o caso), já com os juros incluídos.

Além deste valor, a arguida terá ainda que pagar as custas judiciais do processo e foi ainda condenada a uma pena de 160 dias de multa. Cada dia terá o custo de cinco euros, ficando então obrigada a pagar 800 euros.  #Justiça