A Câmara Municipal de Fafe anunciou um protocolo com a empresa de trabalho Randstad, a assinar em Setembro próximo. Na vanguarda deste acordo, está já delineada a instalação de um "Call Center" no concelho de Fafe, a começar a operar ainda em 2015 e a prever a criação de mais de 350 novos postos de trabalho. No comunicado veiculado, a Câmara Municipal de Fafe acrescenta que já estão seleccionados 100 possíveis colaboradores para esta nova empresa, e regozija-se com este acordo que beneficiará a região. No entanto, a população não está nada entusiasmada com a oferta de emprego proposta e fala-se mesmo em "escravatura". 

Depois de Vieira do Minho, também Fafe vai viver a experiência de uma empresa de "Call Center", abrindo novas oportunidades de trabalho nestas regiões do Minho. O flagelo do #Desemprego é uma realidade dura e interessa às Câmaras este género de protocolos que permitam manter a população nas regiões, mas empregadas. Neste sentido, a Câmara de Fafe terá feito alguns esforços e cedências para a instalação desta nova empresa na cidade. 

Em comunicado, a Câmara fala que o município de Fafe vai apoiar a Randstad em "termos logísticos", adiantando, desde já, a cedência do edifício onde a empresa vai operar. O edifício vai-se manter como propriedade do município, cabendo à Randstad o pagamento de uma renda. E aqui surge logo o primeiro grande incentivo. A renda será tanto menor, quanto maior for o número de empregados da empresa, num "mecanismo de promoção ao emprego", acrescenta a Câmara Municipal. 

No acordo está ainda previsto que as empresas com sede em Fafe, que apresentem condições iguais a outros concorrentes, deverão ser as escolhidas no fornecimento de bens ou serviços para a nova empresa. Com isto, a Câmara de Fafe acredita que os benefícios da instalação desta nova empresa poderão ir muito mais além dos 350 novos postos de trabalho, beneficiando ainda outras empresas e ainda o ramo da restauração e comércio a retalho, com a fixação de mais pessoas.

No entanto, quem já foi à entrevista de selecção de candidatos fala mesmo numa proposta de trabalho "super precária". Na proposta que esteve disponível na página online "Net-Empregos", na qual terão sido seleccionados os 100 colaboradores, não se exige experiência, mas oferece-se 520 euros por oito horas diárias, em regime de turnos, num contrato a termo incerto. Obrigatório é o completo domínio da língua francesa e da Informática. 

"Isto é uma escravatura. Horário das 7h00 às 19h00, fins-de-semana, e ainda exigem especializações, mas pagar é o mínimo possível", "Ganhar o salário mínimo para trabalhar por turnos e ao fim-de-semana?", "Com estas condições, depois admiram-se que não preenchem as vagas, como aconteceu em Vieira", são alguns dos comentários nas redes sociais sobre este tópico.