Cumprindo a longa tradição de levar a comunhão aos doentes impossibilitados de participar na Eucaristia, realiza-se no Domingo de Ramos, também conhecido como Domingo da Paixão, a festa do Senhor aos Enfermos na comunidade de S. Paio de Antas. Esta festividade estritamente religiosa ocorre durante a manhã de Domingo no intervalo das duas Eucaristias Dominicais, quando se organiza uma procissão eucarística percorrendo a extensão de cerca 6 quilómetros, levando a comunhão aos doentes retidos em suas casas. Incorporam-se os estandartes invocativos dos santos de maior devoção da comunidade, a Cruz processional, seguida pelo pálio, abrigando o pároco da freguesia, transportando a Sagrada Eucaristia.

O percurso é abrilhantado pelas melodias da Banda de Antas e pelos cânticos eucarísticos protagonizados por elementos do grupo coral de Antas, tornando assim o caminho mais belo e menos penoso.

Realizada desde 1904, está longe do brilhantismo de outros tempos, quando todo o percurso processional era decorado por arcos triunfais, tapetes de flores e figurados recriando os momentos fundamentais da vida de Cristo. Mesmo assim a tradição vai-se cumprindo a espaços, dando-se destaque ao monumental tapete de flores no adro da igreja, elaborado pelo Grupo de Jovens Esperança e alguns apontamentos decorativos em algumas ruas de autoria de alguns bairristas que teimam em cumprir a tradição.

Tal facto deve-se à grande extensão do percurso, à contínua adaptação do mesmo, percorrendo os caminhos apenas onde há doentes a visitar e alguma desmobilização dos anteriores entusiastas desta tradição, que por força da idade ou da simples emigração não podem dar o contributo de outros tempos.

Mesmo assim a tradição tem vindo a cumprir-se no essencial, sendo esta a mais antiga manifestação de fé eucarística do género realizada localmente, replicada pouco tempo depois da sua origem para freguesias vizinhas, tais como Castelo de Neiva, Alvarães e Belinho, onde a procissão do género aí realizada constitui um quase cartaz turístico para além da manifestação de fé, tal é a quantidade de elementos que compõem a organização, a decoração das ruas e os motivos religiosos apresentados no percurso da procissão.

O pároco da freguesia, Manuel de Brito Ferreira, que este ano cumpre 40 anos de paroquialidade, tem vindo a percorrer menos quilómetros de ano para ano, visitando cada vez menos doentes.

De facto, de há 20 anos para cá a procissão que percorria cerca 10 quilómetros, visitando todos os lugares da freguesia, circunscreve-se este ano apenas a um percurso de 6 quilómetros; saindo da Igreja Paroquial, percorre os lugares do Monte, Azevedo, Estrada e Guilheta, regressando depois à Igreja paroquial no percurso contínuo de cerca de 2 quilómetros na rua Padre Apolinário Rios, depois de cerca 10 doentes terem recebido a comunhão em suas casas. Este ano como outrora a tradição voltará a cumprir-se. Para saber mais sobre ela visione este vídeo documental:

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