O Festival de Folclore é organizado pelo grupo de Cantares e Dançares de Antas, tendo como apoio os proprietários das Azenhas do Minante e espaços adjacentes, local representativo das mais antigas tradições rurais de Antas. Daí a pertinência da realização deste festival neste ex-libris da freguesia de Antas.

Além da etnografia típica da região, o festival de #Folclore aborda a #Tradição do linho, mais concretamente a fase intermédia do ciclo desta trabalhosa cultura: arrancar o linho, ripar e demolhar. Após esse ciclo, a matéria-prima vai até ao engenho onde as fibras do linho são obtidas por fricção dos "tambores" do aparelho que, no caso das Azenhas do Minante, era movido por uma roda hidráulica exterior, a maior de todo o complexo industrial.

Veja aqui um vídeo de uma actuação do grupo de cantares de Antas:

 

O programa cultural escalado para este evento conta os seguintes apontamentos:

  • Dia 5 - Encontro de concertinas
  • Dia 6 - Atuação do Grupo Coral “à Banda” e Grupo de Cante alentejano "Cantadores do Desassossego", de Beja
  • Dia 7, de manhã: passeio de bicicletas antigas.
  • Dia 7, de tarde: presença do grupo de cantares e dançares de Antas, onde se fará uma pequena representação de uma das fases do ciclo do linho.

O referido festival irá realizar-se nas Azenhas do Minante, um complexo industrial disposto nas duas margens do rio Neiva, mais concretamente entre Antas e S. Romão de Neiva. Este complexo, de tipologia única na dimensão e na multiplicidade de ofícios, incluía a moagem de cereais num total de 5 mós de moagem de milho, centeio e trigo, 2 unidades de serração de madeiras, em conjunto com um edifício na margem de S. Romão de Neiva, uma unidade de maceração de linho com dois tambores e uma unidade de destilação de aguardente num edifício autónomo.

A história das Azenhas do Minante

Segundo informação avalizada pelo Sr. Raul Saleiro, historiador e curioso das tradições e património de Antas, existia já algum tipo de aproveitamento, neste local, desde meados do ano 1600. No entanto, as atuais construções são de data posterior a saber: Açude (1851), azenhas e dependências anexas (1854), Ponte (1883), e o “Engenho novo”- Neiva (1898).

As Azenhas do Minante, excluindo do “Engenho Novo”, mantêm-se na mesma família desde a sua fundação. Foi determinante para a recuperação deste património a ação do Sr. Manuel Gonçalves Neiva, resgatando este património de novo para o domínio familiar em 1960. Após a sua morte, herdou a propriedade sua irmã Maria Neiva da Cruz, mantendo-se a parte de moagem em laboração pelo esforço de Lucília Cruz, sobrinha e filha dos anteriores proprietários até Agosto de 2010.

Presentemente, atinge já algum grau de degradação, embora sejam efectuadas regularmente pequenas obras de manutenção e limpeza dos espaços.

Em virtude da morte da última proprietária, dá-se uma situação da partilha, sendo que, presentemente, os edifícios citados e terrenos adjacentes permanecem na mesma família, nos sobrinhos e filhos dos anteriores proprietários, os Srs. Amândio, Manuel e Augusto Cruz e a Srª Lucília Cruz.

Presentemente decorrem algumas operações de limpeza de vegetação em redor dos edifícios e limpeza de fachadas.

Segundo fonte familiar, a recuperação deste património está dependente dos proprietários, e em último recurso da restante família, de modo a manter o pressuposto da titularidade familiar. A mesma fonte acrescenta que qualquer iniciativa empresarial que pretenda recuperar as azenhas não depende de bairrismos exacerbados, promessas eleitorais ou opiniões de vária ordem, mas antes do sentido faseado da recuperação acrescentando um clima económico propício ao investimento e a obtenção  de recursos financeiros necessários.

O Grupo de Cantares e Dançares de S. Paio de Antas terá a funcionar, durante o evento, um espaço de confraternização e de venda de bebidas e comida, de modo a angariar fundos para custear a organização do evento.

Veja aqui um filme documental alusivo às Azenhas do Minante:

#Música