Durante a reunião da União Europeia de Geociências, que decorreu ontem, dia 17 de abril em Viena, foi apresentada uma proposta de aproveitamento dos desertos para gerar energia solar. Um dos problemas da energia fotovoltaica relaciona-se com a falta de espaço, pois estes campos de energia renovável necessitam de vastas áreas de terreno. Assim, foi proposta a implementação de parques de plantas de energia solar (CSP, energia solar térmica por concentração) em desertos.

Os raios solares concentram-se nas plantas de CSP mediante a utilização de espelhos e de um recetor central, que percorrem todo o comprimento dos espelhos, e que contêm um óleo térmico, podendo assim atingir elevadas temperaturas. Este calor utiliza-se para gerar vapor. Este vapor, por sua vez, irá acionar as turbinas que irão produzir eletricidade. A grande vantagem na utilização das plantas CSP, quando em comparação com as centrais fotovoltaicas, centra-se no fato de que estas plantas permitem armazenar energia, podendo gerar eletricidade de noite.

Os desertos foram assim escolhidos, pois são zonas muito interessantes de estudo. São vastas, logo não competem pelo espaço utilizado para as atividades antropogénicas, como é exemplo a agricultura. Para além deste fator de extensão topográfica, as áreas desérticas possuem uma taxa elevada de radiação solar, reunindo-se, assim, as condições necessárias para a implementação de parques de plantas CSP. A utilização destas plantas poderá fornecer eletricidade a um preço razoável para grandes cidades, mesmo que estas cidades fiquem a milhares de kms de distância das zonas desérticas.

Efe Mercè Labordena, investigadora da Escola Politécnica Federal de Zurique, participa em variados estudos estatísticos, e afirmou que uma grande parte da população vive a 3000 Kms de distância dos desertos. A mesma participa em vários estudos sobre a potencialidade dos desertos na produção de eletricidade para dois dos grandes países que emitem os valores mais elevados de gases de efeito de estufa (GEE), contribuindo assim para as mudanças climáticas. Estes países são a China e os EUA, que em conjunto contribuem para cerca de 40% dos GEE gerados.

Estes estudos tentam demonstrar que é possível produzir eletricidade confiável, a um preço mais reduzido que o atual e de forma mais benéfica para o #Ambiente. Assim, a economia não será um problema. Neste caso, o principal problema pode relacionar-se com a acumulação de pó nos espelhos, pois a eficiência do sistema irá diminuir se a acumulação de pó não for removida. Como se trata de um deserto, pode-se ter vários problemas com a escassez de água. #Inovação