O gerontologista americano Karl Pillemer concluiu recentemente um estudo científico que lhe permitiu decifrar os principais ingredientes para um casamento feliz e duradouro. Para isso contou com a participação de mais de 700 indivíduos, cujo total de anos de casados ascende aos 40 mil! Autor do Projeto de Aconselhamento Matrimonial da Universidade de Cornell, na cidade de Ithaca (estado de Nova Iorque), Pillemer conduziu o maior estudo alguma vez elaborado sobre pessoas que se encontram em relações de muito longa duração. O seu objetivo era dar voz à sabedoria dos anciãos em matéria de relações sentimentais, registando e analisando de forma científica os conselhos de uma longa lista transversal de idosos sobre o amor.

Idosos ensinam a amar

Após uma pesquisa nacional aleatória, para a qual entrevistou cerca de 400 americanos com idade igual ou superior a 65 anos (a quem era questionado como encontrar um companheiro compatível e solicitados conselhos sentimentais), o professor académico levou a cabo entrevistas pessoais a 300 indivíduos com casamentos de longa duração, com mais de três décadas, e ainda a pessoas divorciadas, obtendo insights sobre as formas mais eficazes de ultrapassar os problemas conjugais mais comuns e evitar as separações.

A idade média dos entrevistados foi de 77 anos - numa amostra composta por 58 por cento de mulheres e 42 por cento de homens - e a duração média dos casamentos de 44 anos. A título de curiosidade, o casal com a união mais longa, que durava há já 76 anos, tinha 98 e 101 anos de idade.

Cinco técnicas infalíveis

Autor de "30 Lições para Amar: Conselhos dos Americanos mais Sábios em Questões de Amor, Relações e Casamento" (tradução livre), Pillemer elaborou uma longa lista de dicas para garantir uma relação feliz e de longa duração. O fracasso da maioria das relações fica a dever-se, segundo o estudo, à falta de diálogo, pelo que aprender a comunicar é a primeira das cinco principais lições que os mais velhos nos transmitem. Conhecer muito bem o parceiro antes de casar e não criar expectativas de o vir a mudar mais tarde, é o conselho que se segue.

Igualmente importante é aprender a trabalhar em equipa, revelam os idosos. Tal como no desporto ou na vida profissional, o que interessa são os bons resultados do casal enquanto equipa, pelo que é vital que qualquer dificuldade ou doença seja encarada como um problema de ambos, que têm a responsabilidade de encarar e resolver em conjunto. Para que isso seja possível é, ainda, necessário que o casamento seja encarado como um compromisso inquebrável pois, garantem os experts na matéria, ultrapassar em conjunto os momentos menos bons vai proporcionar-lhes mais tarde uma felicidade acrescida.

Por fim, se é adepto da ideia de que os opostos se atraem, esqueça! Os mais velhos garantem que, na hora de escolher um parceiro para a toda a vida, o melhor é apostar em alguém que partilhe os seus interesses e valores pessoais - nomeadamente em relação a tão assuntos delicados como a criação dos filhos, a gestão financeira do lar e a religião. Ao que tudo indica, é meio caminho andado para a resolução dos conflitos que daí possam advir. #Família #Curiosidades