Basta observar um bando de aves, um grupo de tartarugas ou uma alcateia de lobos para perceber que se movimentam com base no campo magnético da Terra, mas até hoje não se sabia como o faziam. Graças a um pesquisa levada a cabo por um grupo de cientistas e engenheiros da Universidade do Texas, em Austin (EUA), foi agora possível identificar, pela primeira vez, o local exato onde os #Animais têm o sensor do campo magnético da Terra: o cérebro.

O estudo, efetuado em pequenas minhocas - denominadas C. elegans - e publicado na revista eLife, revelou que estes animais possuem um micro sensor no final de um neurónio, mais concretamente no neurónio AFD (cuja capacidade para detetar os níveis de dióxido de carbono e a temperatura já era conhecida), muito semelhante a uma nano-antena de televisão, que lhes permite deslocarem-se debaixo da terra.

Dadas as semelhanças entre a estrutura cerebral das várias espécies animais é, assim, muito grande a probabilidade de todas possuírem uma estrutura microscópica idêntica que lhes permite estar sintonizados com o campo magnético do planeta.

Vermes esfomeados em todas as direções

Enquanto monitorizavam a movimentação destas minhocas - muito utilizadas em pesquisas sobre Alzheimer e dependência - em tubos cheios de gelatina, os investigadores descobriram que, quando estas estavam esfomeadas, se movimentavam em direções distintas consoante a sua proveniência e sempre em concordância com o campo magnético do local de onde haviam sido retiradas. Ou seja, ao passo que as minhocas americanas se deslocavam para baixo em busca de comida, as australianas movimentavam-se na direção oposta.

A pesquisa comprovou que a orientação do campo magnético terrestre varia de acordo com o local em que nos encontramos e o sistema sensorial do campo magnético de cada minhoca está em sintonia com o seu habitat. Com efeito, as minhocas geneticamente modificadas para que o neurónio AFD não estivesse funcional não conseguiam orientar-se em sentido ascendente e descendente como as restantes.