Longos bigodes brancos, cauda comprida, patas da frente muito desenvolvidas e tons variáveis entre o cinzento e o branco são as características do rato-das-neves, uma nova espécie de mamíferos em Portugal. O animal foi descoberto em Lama Grande, concelho de Bragança, em pleno Parque Natural de Montesinho. A confirmação foi feita por um grupo de investigadores da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), depois de o animal ter sido avistado há cerca de um ano por Gonçalo Rosa, um fotógrafo de vida selvagem. Uma descoberta que se revela de elevada relevância para a conservação daquela espécie de roedores.

O achado remonta ao Verão do ano passado no âmbito de um trabalho fotográfico desenvolvido por Gonçalo Rosa. Com vista a fotografar algumas espécies de mamíferos residentes em Portugal, o fotógrafo colocou uma câmara debaixo de uma grande pedra. A surpresa surgiu na manhã do dia seguinte quando, ao observar as fotografias tiradas, Gonçalo Rosa apercebeu-se de que se tratava de um roedor desconhecido. Daí que tenha enviado as imagens para Hélia Vale Gonçalves e Paulo Barros, investigadores do Laboratório de Ecologia Aplicada do Centro de Investigação e de Tecnologias Agro-ambientais e Biológicas (CITAB) da UTAD.

Aqueles especialistas não tiveram dúvidas de que se tratava de uma nova espécie de mamífero roedor em Portugal, tendo iniciado um trabalho científico em colaboração com o Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (CIBIO-InBIO) da mesma universidade. O passo seguinte passou pela instalação de armadilhas no terreno numa tentativa de capturar um casal daqueles mamíferos. Após o registo das suas características e da recolha de elementos para análises genéticas, os indivíduos, um macho e uma fêmea, foram devolvidos ao seu habitat.

Citado numa nota de imprensa divulgada esta sexta-feira, 6 de Novembro, pela UTAD, a investigadora Hélia Vale Gonçalves refere que o rato-das-neves (Chionomys nivalis) “concentra-se exclusivamente em regiões montanhosas, sendo bastante sensível a alterações do habitat”, mas adianta que “não é uma praga”.

Por outro lado, as análises genéticas realizadas no CIBIO – InBIO levam a concluir que os dois indivíduos investigados “são geneticamente próximos, mas diferentes das populações já estudadas do centro de Espanha”, refere a investigadora Joana Paupério. #Natureza #Animais