No passado mês de agosto foi realizado em Nova Iorque, no centro médico NYU Langone, aquele que é considerado o transplante de rosto mais extenso alguma vez realizado. Patrick Hardison, ex-bombeiro, tinha sofrido diversas queimaduras ao nível do rosto, pescoço e tronco no combate a um incêndio no Estado do Mississipi, em setembro de 2001. 14 anos depois, Patrick, agora com 41 anos de idade, submeteu-se a várias intervenções cirúrgicas para reconstrução do rosto. De acordo com a SIC Notícias, as cirurgias foram realizadas ao nível da face, couro cabeludo, orelhas e canais auditivos. O dador, David Rodebaugh, havia sofrido um acidente de bicicleta, tendo-lhe mais tarde sido declarada morte cerebral.

Nesta intervenção foram também transplantados alguns fragmentos ósseos, de forma a conferir ao rosto uma aparência simétrica, bem como pálpebras e tecido muscular. Patrick tinha perdido a capacidade de abrir e fechar (ou piscar) os olhos, a qual lhe foi agora restituída graças ao transplante de músculos específicos para essa função. Algo aparentemente tão simples como piscar os olhos é fundamental para hidratar o globo ocular e prevenir infeções.

O conjunto de intervenções que deram um novo rosto a Patrick Hardison decorreu ao longo de 26 horas e envolveu cerca de 100 profissionais. Devido à complexidade do procedimento, a equipa do NYU Langone Medical Center aguardou cerca de 3 meses para divulgar o caso, tendo anunciado no passado dia 16 o sucesso da intervenção.

Segundo Eduardo Rodríguez, médico que liderou a equipa que realizou o transplante, e o NYU Langone Medical Center, esta foi a primeira vez que um paciente submetido a um transplante deste género não apresenta qualquer irregularidade na face. O NYU Langone Medical Center salienta ainda o facto de, pela primeira vez, ter sido realizado um transplante de rosto a um membro de equipas de socorro que sofreu os ferimentos no cumprimento da sua atividade.

Pouco tempo após a realização do transplante já eram claros alguns sinais de que este tinha sido um sucesso – em alguns dias Patrick voltou a abrir e fechar os olhos e o seu cabelo começou a crescer novamente. No entanto, este conjunto de intervenções foi apenas um passo na recuperação de Patrick, que continua com o seu plano de tratamento que inclui fisioterapia, terapia da fala e terapia ocupacional. Tudo para que o ex-bombeiro possa retomar atividades rotineiras que tem estado impossibilitado de realizar ao longo dos últimos 14 anos. #Inovação #Casos Médicos