No dia 21 de Janeiro foi encontrado, na região da Mata Atlântica do #Brasil, mais concretamente no Vale da Ribeira, em São Paulo, um exemplar da espécie Corallu Cropanii, a jibóia mais rara do mundo. Este réptil nunca foi observado na natureza. Foi descrito em 1953 pelo herptólogo Alphonse Richard Hoge, com base num exemplar levado por um habitante da região. Foram encontrados mais alguns exemplares mas já sem vida. Os investigadores procuraram, nos últimos 64 anos, por um réptil desta espécie com vida que pudessem estudar in loco, mas sem sucesso. Por este motivo, a informação sobre o comportamento desta espécie escasseava. A sua anatomia permite incluí-la na família das jibóias - Boidae.

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Mas não se sabia qual o seu regime alimentar nem se era predominantemente terrestre ou aquático.

O Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo e o Instituto Butantan prestaram formação aos habitantes da zona para que aprendessem a distinguir as cobras venenosas das que não o são. Foram também distribuídos cartazes e panfletos com informações sobre a Corallu Cropanii e foi pedido à comunidade que entrasse em contacto com os investigadores caso a avistassem.

Dois jovens encontraram esta jibóia e capturaram-na baseando-se nos truques que aprenderam na formação. Bruno Rocha, biólogo pesquisador do Museu de Zoologia e coordenador de um projecto de conservação da espécie, não escondeu a emoção: "Quando cheguei vi que era ela, viva e linda. Fiquei emocionado". Bruno Rocha tornou-se assim o primeiro biólogo a segurar uma Corallus cropanii viva desde a época de Hoge.

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Verificou que se tratava de um macho de 1,70 m de comprimento, 1,5 quilogramas e escamas com losangos pretos e alaranjados perto da boca. Não é venenoso e mata as suas presas através do esmagamento.

Os cientistas pretendem implantar um pequeno radiotransmissor na jibóia e devolvê-la à mata para ser rastreada e observada no seu habitat natural.

Esta poderá ser uma descoberta fundamental para a preservação da espécie, que só foi possível graças à cooperação entre os cientistas do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo e do Instituto Butatan com as populações locais. #Animais #Ambiente