Nasceu em Águeda, há 79 anos, e vai ser distinguido pela Câmara Municipal de Coimbra com a Medalha da Cidade, Grau Ouro. A homenagem ao escritor e poeta Manuel Alegre surge pelos 50 anos do lançamento do seu livro "Praça da Canção", editado em Coimbra, e que chegou a ser apreendido pela censura. O presidente da autarquia realça também a relevância política e cultural do ex-candidato à Presidência da República.

O socialista Manuel Machado, que desde 2013 é presidente do executivo municipal, que integra 5 eleitos pelo PS, 4 pela coligação PSD/PPM/MPT, 1 da CDU e outro do movimento Cidadãos de Coimbra, realça, ainda, o prestígio de Manuel Alegre para Coimbra, para Portugal, bem como o papel que desenvolveu ao longo da sua vida para exaltar os valores da liberdade, da fraternidade e da igualdade. Aquela Medalha vai juntar-se a uma vasta lista de prémios e distinções que Manuel Alegre recebeu ao longo dos anos, com destaque para o Prémio Pessoa (1999) e o Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores (1998).

Manuel Alegre de Melo Duarte foi estudante de Direito na Universidade de Coimbra, onde foi um activo dirigente estudantil. Apoiante da candidatura de Humberto Delgado, foi fundador do CITAC - Centro de Iniciação Teatral da Academia de Coimbra, membro do TEUC - Teatro de Estudantes da Universidade de Coimbra, campeão nacional de natação e atleta internacional da Associação Académica de Coimbra. O nome de Manuel Alegre consta, também, no cabeçalho do jornal A Briosa, do qual foi director, bem como na ficha técnica das revistas Vértice e Via Latina, como redactor e colaborador.

As suas posições sobre a ditadura e a guerra colonial foram determinantes para que fosse preso, em Luanda, pela PIDE em 1963, tendo na cadeia conhecido escritores angolanos. No dia seguinte, passou à clandestinidade e saiu para o exílio, tendo passado 10 anos em Argel, onde foi dirigente da Frente Patriótica de Libertação Nacional. Ingressa no Partido Socialista onde, ao lado de Mário Soares, consegue mobilizações populares que permitiram consolidar a democracia. O seu nome consta como autor do preâmbulo da Constituição Portuguesa de 1976.

Desde 1975 até 2002 foi sucessivamente eleito como deputado, pelo Círculo de Coimbra. A partir de 2002 passou a ser eleito por Lisboa, até 2009 altura que abandonou o plenário. Participou no I Governo Constitucional e foi vice-presidente da Assembleia da República desde 1995, bem como conselheiro de Estado. Em 2006 candidatou-se à Presidência da República, como independente e apoiado por cidadãos, numa altura em que o PS se dividiu também pela recandidatura de Mário Soares. Obteve mais de 1 milhão de votos ficando em segundo lugar e à frente de Soares.

Manuel Alegre é sócio correspondente da Classe de Letras da Academia das Ciências, eleito em Março de 2005. Em Abril de 2010, vê o seu nome associado à Cátedra inaugurada pela Universidade de Pádua destinada ao estudo da Língua, Literatura e Cultura Portuguesas. É autor de dezenas de obras, traduzidas em diversas línguas.