De onde viemos? Como surgiu o Mundo que conhecemos? Terá sido uma criação divina propositada ou apenas um passatempo de Deus quando não tinha mais nada para fazer? São estas as perguntas que serviram de mote para a criação artística do Círculo de Iniciação Teatral da Academia de Coimbra - o "Cubo". Encenado por Paula Diogo, este projeto conta com a presença de quatro atores que se propõem a refletir sobre o início da experiência humana. Durante 50 minutos, o público é convidado a viajar através do poder criativo da imaginação pela "pequena revolução" que é esta performance.

Mas afinal o que é o "Cubo"? Segundo a atriz Ana Filipa Pinto, é "um mundo hipotético, ou então uma perspetiva diferente daquilo que entendemos como mundo real". Descreve ainda esta experiência como "uma claustrofobia", uma vez que o Universo, no sentido amplo da palavra, parece ser cada vez mais pequeno para o ser-humano. A encenadora, Paula Diogo, refere-se a este espetáculo como "uma espécie de boião experimental para um Novo Mundo" onde se cruzam ideias sobre física quântica, visões teológicas e físicas sobre o que está na origem do Universo. A figura de um Deus aparece "como explicação para o inexplicável", segundo a encenadora, e é também uma aliada a todas as suposições levantadas, durante a peça, sobre o começo da Humanidade. "Deus é muitas vezes o nome que atribuímos ao que não conhecemos e o desconhecido é um incómodo para o Homem! Tememos o que não conhecemos, mas, por outro lado, é também o desconhecido que nos interessa, que nos faz querer avançar na descoberta. Se tudo soubéssemos, nunca evoluiríamos", afirma Ana Filipa Pinto.

Todo o debate à volta desta incógnita de como surgiu o Universo é explícito. Contudo, o "Cubo" detém ainda um significado de foro íntimo para os atores. A analogia entre a criação do Universo e o início da sua viagem pela "querida Caixa Negra", apesar de não ter transparecido diretamente para o público, foi algo "de mais humano que veio à superfície", confessa Ana Filipa Pinto. A atriz revela ainda que esta experiência é equiparada a "um mundo paralelo ao real, em que podemos ser mais humanos, mais humanos e mais reais, mais reais do que os humanos que somos no mundo real". Nuno Roque, também integrante do elenco, fala ainda do CITAC como "mais uma alma essencial ao meu amadurecimento onde aprendo a sorrir, o que tanto me faz chorar".

Esta peça teve a sua estreia no dia 14 de Outubro de 2014, no teatro-estúdio do CITAC (1º piso da Associação Académica de Coimbra), tendo agora voltado às luzes da ribalta para uma reposição de três dias.