O International Happiness Forum, que terá lugar em Coimbra, no próximo mês de maio, nos dias 23 e 24, e que pretende discutir a felicidade de "forma transversal", desde a neuroquímica à astrologia ou economia da felicidade, está a levar a cabo várias iniciativas ligadas à temática. Uma delas é a "Gotas de Felicidade" que, mensalmente, na livraria Almedina, de Coimbra, tem reunido pessoas de vários quadrantes à volta de livros, nomeadamente da felicidade que os livros eventualmente lhes poderão trazer ou de livros já as deixaram felizes. O objectivo passar por tentar relacionar livros e felicidade.

No passado dia 9 de abril, os convidados para o debate moderado por Alice Luxo foram Carla Gonçalves, doutorada em História de Arte, Joana Botelho, proprietária de uma empresa de consultoria em hotelaria e turismo e autora do blogue Buy the book?, e ainda Rui Loureiro, ligado ao rugby e detentor de uma empresa de eventos desportivos. Três versões de felicidade e três aproximações distintas aos livros. "É relativo falar em felicidade, ainda por cima em Portugal onde é bem mais fácil ser-se infeliz e falar-se em infelicidade", garante Carla Gonçalves, que acredita que a solução está em viver "sem a prisão do passado e a expectativa do futuro".

Joana Botelho tem uma visão mais prática, quer da leitura, quer da felicidade. Admite que só lê há dois anos e, em concreto, folheia apenas páginas de livros de marketing e de gestão. Desafiada por Alice Luxo a baixar a guarda que a impede de ler outras coisas, admite que por agora o que a deixa feliz é mesmo esta leitura temática.

"Não me lembro de ter lido um livro que só tenha coisas boas. Acho que só li livros tristes", recorda Rui Loureiro, que da prateleira da memória retirou Papillon, de Henri Charrière. Leu o volume no final da adolescência, em casa de um amigo, e para sempre ficou marcado pela "aventura, pelas viagens e pela resiliência enorme". Associa, talvez por isso, a felicidade à liberdade e "ler é uma liberdade, que nem sempre se tem". É preciso adotar estratégias de conquista da liberdade (leia-se felicidade) e, para que tal acontecesse, há dias que Rui loureiro vai de transportes públicos para o trabalho, apenas para conseguir ler e pelo prazer de ler.

No final, todos concordaram que não há livros milagrosos, que tragam uma felicidade "fast food, rápida e/ou em sete passos". Há Gotas de Felicidade, no próximo dia 9 de maio com Clara de Almeida Santos, vice-reitora da Universidade de Coimbra e Marisa Matias, eurodeputada. #Literatura