Na aldeia de Cortes, freguesia de Álvares, concelho de Góis, distrito de Coimbra, junto ao cemitério local encontra-se uma cruz. A sua existência sempre foi alvo de curiosidade para quem a conhece. Quando terá sido ali colocada? Porquê? São algumas das questões que se tentam responder, mas até hoje sem qualquer certeza. Porém, existem algumas teorias que tentam explicar a sua origem.

Uma das duas histórias que se contam está associada às terceiras invasões francesas. Uma vez que existem indícios da presença dos gauleses na região, nomeadamente nas Cortes, é plausível que aquela cruz possa ser uma consequência desses acontecimentos. 

Foi na sequência do insucesso da chamada estratégia "Linhas de Torres", que os franceses deverão ter passado pela freguesia de Alvares. Sem estarem à espera desta inesperada presença, as pessoas foram confrontadas com estes homens. De acordo com um documento redigido em setembro de 1811 pelo Vigário João Carneiro, onde descreve as consequências das invasões francesas nesta localidade, houve "mortes, roubos, incêndios (...) e relatos de mais hostilidades feitas desumanamente pelos franceses na invasão desta freguesia de Alvares do Bispado de Coimbra, nos meses de fevereiro, março e abril de 1811".  

Na aldeia de Cortes foram destruídas 5 capelas e houve alguns roubos (de porcos, galinhas, feijão e azeite). Oficialmente não se tem conhecimento de que tenham existido mortes na localidade. No entanto, os franceses e alguns cortenses ter-se-ão cruzado precisamente no local onde se situa a cruz e houve mortes. Esta cruz poderá assim homenagear alguma(s) vítima(s). Segundo fontes da época, ao aperceberem-se da chegada dos gauleses à terra, muita gente de Cortes conseguiu esconder-se em minas de água.

A outra #História que se conta, é no fundo uma lenda. Um homem foi surpreendido por um ruído, apercebendo-se posteriormente que se tratava de um cordeiro. Não pensando em perder uma refeição que lhe apareceu do nada, decidiu apanhar o animal. Assim que conseguiu, levou-o às costas. Cada subida era um tormento, o homem sentia-se cada vez mais cansado. A dada altura, o homem escorregou e o carneiro caiu. Mas decidido a continuar tentou novamente. O resultado não foi positivo. O caminho parecia ser cada vez mais difícil, parecia que algo impedia o sucesso do trajeto. Então compreendeu que aquele carneiro tinha um dono... Deus! Percebeu que Deus tentava evitar que roubasse o seu animal. E então, segundo Samuel Mateus no seu livro "Memórias do Antigamente. Monografia de Cortes", "o pobre homem pediu perdão por ter cometido o pecado da cobiça. Mandou então afixar uma cruz de ferro no sítio onde não tinha conseguido passar com o cordeiro (...)".

Na verdade, talvez influenciadas por estas histórias, algumas pessoas da aldeia, com idades mais avançadas, quando passam por aquela cruz benzem-se e rezam. Em 1913, a velhinha cruz de madeira foi substituída por uma cruz de ferro.   #Curiosidades