Chegaram em Novembro, foram introduzidos à Caixa Negra, centro de todas as aventuras, e, desde então, atravessaram várias formações, desenvolveram diferentes estilos teatrais e saborearam o prazer de pisar um palco. Agora é a hora do exame final e os burburinhos nos camarins intensificam-se. Para muitos é a primeira vez que vão estar numa peça teatral e o nervoso miudinho já aflora na pele. Serão assim os próximos dias no Círculo de Iniciação Teatral da Academia de Coimbra (CITAC).

Uma travessia pelos medos e paranóias que apoquentam o ser humano: é esta a experiência que é proposta em "Nóia", a produção que assinala o exercício final do presente curso de formação do CITAC. Depois de em Abril ter reposto o espetáculo "Cubo", o grupo, que celebrou o ano passado os seus sessenta anos de existência, refresca-se com novos rostos no elenco. A encenação ficou a cargo de Carlos Curto, ator e encenador conceituado, que é uma cara conhecida do panorama cinematográfico, televisivo e teatral nacional e que já desenvolveu projetos no passado com o CITAC.

Esta foi, aliás, uma das principais razões que o fez ser eleito para esta difícil tarefa, conforme esclarece a atual presidente do CITAC, Inês Arromba: "O Carlos já trabalhou com o CITAC e a nossa escolha recaiu sobre o feedback que tínhamos tido de pessoas que já tinham trabalhado com ele". A estudante de Estudos Artísticos em declarações à Blasting News acrescentou ainda que, para um grupo com personalidades muito distintas, este pareceu o nome ideal para esta proposta, "uma pessoa que os fizesse rasgar, levar aos limites".

O elenco é constituído por quinze pessoas, das dezasseis que iniciaram o curso de formação. O segredo para disciplinar e organizar um tão volumoso número de pessoas em palco é, segundo o encenador Carlos Curto, ter "muita paciência". "Este é um trabalho muito mais pedagógico do que qualquer outra peça teatral. Estes miúdos não têm rotina de atores e muitos deles são estudantes, o que torna o desafio ainda maior", explica o encenador.

É o caso de Miguel Pombas, um dos novos elementos, cuja entrada no curso de formação foi fruto do acaso. "Eu vim com uma amiga à audição e pensei que vinha ver uma peça de teatro", conta o estudante de Comunicação Empresarial, acrescentando que nunca teve grande gosto pela arte nem pelo teatro, mas foi uma coincidência positiva. "Apaixonei-me desde o primeiro dia em que vim e só quero trabalhar mais e mais", confessa.

Com estes novos formandos, Inês Arromba acredita que o futuro do grupo está em boas mãos. "De dois em dois anos o ciclo renova-se e este é um grupo que, acima de tudo, tem uma vontade enorme de experimentar e de fazer coisas", assegura, e adiciona que "esta já é uma segunda casa para muitos deles".

"Nóia" está em cena até terça-feira, 26 de Maio, e é um espetáculo com a garantia de entrega absoluta a que o teatro universitário nos habitua. Uma criação coletiva dos formandos do CITAC, sob a tutela do encenador Carlos Curto. Para todos que pretendam assistir ao espetáculo basta deslocarem-se ao primeiro piso da Associação Académica de Coimbra. As portas abrem às 21h30. #Artes