Desde o momento em que o Olívia Ribau naufragou, ao final do dia de ontem, 6 de Outubro, que não param de aumentar os protestos contra a actuação dos meios de socorro. A embarcação de pesca virou-se junto à entrada do porto da Figueira da Foz com sete tripulantes a bordo. Dois pescadores foram salvos por uma mota de água, um outro foi retirado do mar já sem vida e os restantes quatro encontravam-se, à hora da redacção deste texto, desaparecidos. Para o final do dia desta quarta-feira estava prevista a realização de uma manifestação silenciosa em frente às instalações da Capitania do Porto da Figueira da Foz. A  Autoridade Marítima garante que foram empenhados todos os meios de socorro possíveis tendo em conta as condições no local.

A Autoridade Marítima esclarece que o alerta foi dado por um sinal de emergência satélite às 19:13 horas de terça-feira, 6 de Outubro, mas com uma posição indefinida. Após confirmação do #Naufrágio por parte do Capitão de Porto da Figueira da Foz “foram empenhados os meios de salvamento da Capitania”, refere a mesma Autoridade, acrescentando que foram confirmadas “condições de mar adversas”. Contudo, depois de avaliar as condições, o Capitão de Porto accionou uma mota de água, tripulada por um instrutor do Instituto de Socorros a Náufragos, que conseguiu resgatar dois tripulantes que estavam numa balsa salva-vidas: os irmãos Adriano e João Conceição, ambos na casa dos 40 anos de idade e residentes na Leirosa, naquele mesmo concelho da Figueira da Foz. Às 21:30 acabaria por ser retirado da água, mas sem vida, Joaquim Comboio, de 56 anos, residente na Cova Gala. “Estes elementos encontravam-se todos sem colete envergado”, afirma a Autoridade Marítima.

As buscas decorreram durante toda a noite, tendo às primeiras horas do dia equipas de Mergulhadores da Armada e de Mergulhadores Forenses da Polícia Marítima procurado aceder ao interior do Olívia Ribau, enquanto decorriam buscas com meios da Marinha e da Força Aérea. O acesso à embarcação naufragada foi abortado devido à falta de condições de segurança, refere a Autoridade Marítima, que realça a complexidade daquelas operações.

Uma versão contestada por um praticante de bodyboard e promotor do protesto silencioso previsto para o final do dia desta quarta-feira. Em declarações à agência Lusa, João Traveira afirmou que se existissem duas motos de água tripuladas por alguém experiente “tinham salvado toda a gente”.

Durante todo o dia, quatro psicólogos, dois cedidos pelo Instituto Nacional de Emergência Médica e outros dois pelo Município da Figueira da Foz, estiveram a dar apoio aos familiares dos quatro pescadores desaparecidos: Rui Gonçalves (41 anos), Américo Tarralheiro (40 anos), António Mendonça (57 anos) e Adriano Camboia (41 anos), residentes na Figueira da Foz, Ílhavo e Mira.

Entretanto, a Autoridade Marítima anunciou que as buscas iriam continuar ao longo da noite desta quarta-feira, estando prevista também a intervenção de uma empresa especializada para tentar colocar a flutuar a embarcação que está virada com o casco para cima.