As origens do Bolo-Rei remontam ao tempo romano. Existe uma lenda que indica o surgimento deste doce ao nascimento de Jesus/Reis Magos. Este bolo ganhou, a partir do século XIV, uma grande popularidade na França e chegou a Portugal no século XIX. Por algumas vezes, existiram tentativas para o alterar o nome, mas acabou por prevalecer o nome original.

Segundo reza a lenda, os 3 reis magos, quando visitaram o recém-nascido Jesus, disputaram entre eles o direito de ser o primeiro a oferecer o presente (Belchior levava o ouro, Baltazar a mirra e Gaspar o incenso). Este problema só foi resolvido graças a um artesão. Este fez um bolo que continha uma fava.

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O primeiro entregar o presente, seria aquele que encontrasse o original brinde.

Na verdade, sabe-se que o bolo rei está associado aos festejos da Saturnália, um evento romano de fim de ano que homenageava a vitória do símbolo do Deus de Ouro, sobre Deus Júpiter. Era comum, nesta quadra festiva, visitarem-se os amigos e oferecerem-se frutos secos (Avelãs, que tinham a capacidade de anular a fome; Nozes, que traziam prosperidade e abundância; e amêndoas, que protegiam dos efeitos do vinho; As pessoas mais ricas doavam frutos secos em ouro). Com a cristianização de Roma, o bolo foi levado para Paris e outros cantos da Europa.

A partir de 1311, na corte de Luís XIV, nas festas natalícias, consumia-se Bolo-Rei. Também em família, começou a ser uma tradição. O Bolo era dividido em tantas fatias quanto os convidados e mais uma, sendo esta última dada ao 1.º mendigo que se visse ou então a vizinhos pobres.

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Em 1789, ano da Revolução Francesa, os franceses passam a designar o bolo de "Sans-culottes" (em português, significa Homens do Povo), mas a expressão não ganhou força. Pouco tempo depois, regressa ao nome original.

Em Portugal, este bolo chega no século XIX. O empresário Baltazar Júnior, ao visitar Paris, em 1840, teve acesso à receita francesa do bolo-rei, e encantado, decide trazê-lo para Portugal. Inicialmente, em Portugal, o bolo era apenas vendido nas vésperas de natal. A história do bolo rei, em Portugal apresenta fortes ligações aos últimos tempos da monarquia e início da república. O bolo-rei projetou o destino dos irmãos e príncipes reais, D. Manuel e D. Luís Filipe (o natural sucessor do pai, o monarca D. Carlos). Numa festa dos reis, realizada no Palácio das necessidades, a fava calhou ao irmão mais novo, D. Manuel. Um mau presságio. A fava era vista pela monarquia como sinal de poder, e quem tivesse a sorte de a encontrar seria coroado rei um dia. Segundo alguns documentos, os príncipes ficaram transtornados com tal acontecimento.

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Coincidência ou não, a 1 de fevereiro de 1908, o rei D. Carlos e o seu filho, D. Luís Filipe, o seu natural sucessor, foram assassinados. Contra todas as probabilidades, D. Manuel assumiu o trono, tornando-se no último monarca português.

Em 1911, um ano após a implementação da República, é proposto na Assembleia da República uma alteração ao nome do Bolo-Rei. A ideia é rejeitada. Apesar disso, até mesmo os republicanos conservadores continuavam a comê-lo, embora preferissem chamá-lo de Bolo de Natal ou Bolo de Ano Novo. #Culinária #Curiosidades