Faleceu no passado Domingo, aos 84 anos, Fernando Machado Soares, autor da Balada da Despedida, uma das mais célebres canções de toda a #Música portuguesa. Coimbra tem mais encanto / na hora da despedida, foram os versos que este autor e juiz conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça compôs e imortalizou. A notícia foi divulgada publicamente ontem pela Fundação Amália Rodrigues, depois do funeral ter acontecido na última terça-feira. Soares foi vice-presidente da Fundação.


Picaroto de nascimento (natural de S. Roque do Pico, em 3 de Setembro de 1930), Fernando Machado Soares licenciou-se em Direito nos anos 50 e aí se distinguiu também na música, nomeadamente na tradições locais. E apesar da sua carreira na área do Direito, a música coimbrã nunca mais o deixou, o que incluiu digressões aos Estados Unidos com o Orfeão Académico, a gravação de discos - desde o influente Coimbra Quintet, de 1957, até a "O melhor de 2 - Fernando Machado Soares / Luiz Goes", lançado em 2001 e com e em colaboração com outro grande vulto da música coimbrã.


A Balada da Despedida é provavelmente uma das duas músicas mais universalmente reconhecidas e identificadas com a identidade académica e urbana de Coimbra (juntamente com Coimbra/Abril em Portugal: "Coimbra é uma canção / de sonho e tradição....") . O Blasting News falou com Emanuel Carmo, antigo estudante de Coimbra, que se mostrou "naturalmente pesaroso, pois é mais um símbolo que se perde", mesmo tendo em conta já avançada idade de Machado Soares. "Contudo, o Manoel de Oliveira é 20 anos mais velho que Machado Soares e por cá continua, e felizmente de óptima saúde." Sobre a Balada da Despedida, Carmo referiu que "é uma música que qualquer caloiro conhece antes de chegar a Coimbra, mesmo que não saiba onde ou quando é que a ouviu. É como se já fizesse parte dele." No seu caso particular, Carmo revela que "na verdade, logo que cheguei lá eu tive a sensação que o encanto da cidade ia ser desde o primeiro dia até ao último, ao contrário do que os versos possam indicar. E por isso tratei de viver ao máximo cada dia, da melhor forma - e isso é outra lição que trazemos quando vimos embora. As condolências são para Coimbra e para a música portuguesa", conclui o antigo estudante. 


A imprensa nacional sublinhava a informação do Portal do Fado, relativa ao papel de Machado Soares na música coimbrã e portuguesa. De acordo com o portal, Machado Soares esteve na transição da música coimbrã do "fado clássico para as baladas e as trovas" ao longo dos anos 50. O seu trabalho influenciou decisivamente o percurso de outros músicos importantes desde género musical, e seus contemporâneos, como Adriano Correia de Oliveira e Zeca Afonso.