A fechar 2014, o há muito esperado filme "Boyhood", de Richard Linklater, apoderou-se instantaneamente do lugar de "um dos melhores filmes do ano". Agora, Paul Thomas Anderson chegou com a sua nova surpresa - que parece poder ser um concorrente bastante digno para o mesmo título -, "Inherent Vice". A obra vem da paixão confessa do realizador norte-americano pelo escritor Thomas Pynchon: "É quase patológico. Existe aquela sensação de relação pessoal às vezes, esta relação imaginária que se tem com escritores que se admiram muito", contou Thomas Anderson ao site "Indiwire". O escritor de 77 anos autorizou agora a adaptação do seu livro (nunca antes adaptado ao #Cinema) com o mesmo nome do filme.

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A escrita do autor de "Gravity's Rainbow", "Mason & Dixon" e o mais recente "Bleeding Edge" é descrita como "perdida", uma leitura em que o leitor anda sempre à procura do sentido da obra, talvez sem êxito.

A este ambiente juntou-se a mente daquele que é considerado um dos realizadores mais promissores da actualidade, Paul Thomas Anderson (o grande "Boogie Nights", "Magnolia", "There Will Be Blood", "The Master"). O resultado desta junção de duas imaginações brilhantes só poderia ser igualmente brilhante. Estreado no mês Outubro no Festival de Cinema de Nova Iorque, "Inherent Vice" entrou no circuito comercial no passado fim-de-semana e tem como data para a estreia em Portugal o dia 8 de Janeiro de 2015.

Com argumento totalmente da sua autoria, o realizador construiu uma esfera pastiche de Pynchon, em que a história gira à volta do detective particular de nome Doc Sportello (protagonizado por Joaquin Phoenix), que tem como hobbie fumar marijuana e que é confrontado com o regresso da sua ex-namorada que não via há anos - e que reaparece com um plano para raptar um milionário por quem se apaixonou.

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Passado nos anos sessenta e dentro da sua cultura hippie e de instantes marcantes como o homicídio de Sharon Tate por Charles Manson, o filme capta perfeitamente o espírito do livro - lançado em 2009, mas que vozes dizem ser ainda muito actual.

Distribuído pelo estúdio Warner Bros. Pictures, este filme "independente" foi filmado em 35mm por razões que o criador explicou ao Indiwire: filmar em 35mm permite algo "vivo, que respira e que muda constantemente, de uma performance para a outra". Acabado de ser nomeado para 4 Critics Choice Awards 2015, apenas 4 nomeações a menos que "Boyhood", resta deixar a narração de início desta obra muito feliz, "Inherent Vice": "Se numa noite calma na praia a tua ex-namorada aparecer do nada com a história do seu actual namorado milionário e a sua mulher e o namorado dela a engendrar um enredo para o raptar e enviar para um manicómio, talvez seja melhor olhar para o outro lado". E assim era uma vez... #Filmes