No dia em que completa 106 invernos estreia uma curta, que deseja não ser a última. Os últimos tempos tem-nos passado sobretudo em casa, mas hoje o dia é diferente. Hoje faz anos, mais de um século, e vai ao #Cinema ver a estreia da sua mais recente curta-metragem. Manoel de Oliveira nasceu no Porto, quando Portugal ainda era um Reino. O mais velho realizador do mundo em actividade nasceu durante o reinado de D. Manuel II.

Passou a sua infância enquanto o país vivia a Primeira República. Tinha oito anos quando começou a Primeira Guerra Mundial, aos 20 entrou para a escola de actores, ainda Salazar ocupava o cargo de Ministro das Finanças.

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Viveu durante o Estado Novo, a Segunda Grande Guerra e a Guerra do Ultramar. Viveu a Revolução dos Cravos, viu Eusébio jogar, viu Figo e vê Cristiano Ronaldo. Viveu - de forma mais próxima ou afastada - todos os momentos importantes do século XX. Se alguém pudesse contar o último século da história de Portugal, seria Manoel de Oliveira, que aos 106 ambiciona ainda realizar mais curtas-metragens.

Foi em 1931 que realizou a primeira ainda muda e a preto e branco. Era sobre o Douro que o viu nascer. Douro, Faina Fluvial estreou em Lisboa e suscitou a admiração da crítica estrangeira e um profundo desagrado nacional. Dois anos mais tarde, e mantendo a paixão pela representação, participa naquele que foi o segundo filme sonoro português: A Canção de Lisboa. Em 1956, filmou pela primeira vez a cores o filme O Pintor e a Cidade.

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A nova e grande aventura de filmar a cores exigia conhecimentos que hoje não exige. Para isso Manoel de Oliveira foi estudar na Alemanha de Leste.

Ser realizador num país de regime ditatorial e onde a censura vigorava, nem sempre era pacífico. Um dos diálogos presente no filme Acto de Primavera de 1963 foi censurado, o que valeu ao cineasta 10 dias de estadia nos calabouços da PIDE. Longe da censura, a cores e com som, estreia O Velho do Restelo. Aos 106 anos de idade continua no activo, o que faz de Manoel de Oliveira o mais velho cineasta em actividade.

No Rivoli, serão também exibidas mais três obras do realizador, "Douro, Faina Fluvial", de 1931, o documentário "O Pintor e a Cidade", de 1956, e "Painéis de São Vicente de Fora", de 2010. Manoel de Oliveira viveu parte importante da História de Portugal, e tornou-se ele próprio parte importante dessa história.



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