A Manoel de Oliveira, cineasta e centenário, foi atribuída mais uma distinção: a Legião de Honra, a mais alta condecoração atribuída pelo Estado francês. A cerimónia decorreu na passada terça-feira, no Museu de Serralves, no Porto - cidade de onde é natural e residente o decano do #Cinema mundial. Esteve presente o embaixador de França em Portugal, Jean-François Blarel, que sublinhou a ligação de Oliveira à França, nomeadamente por parte da sua obra ter sido realizada lá. Oliveira tem sido também presença regular no festival de cinema de Cannes, onde recebeu outros prémios, como o Bresson ou a Palma de Ouro.

Manoel de Oliveira, que continua totalmente lúcido e activo - como não poderia deixar de ser, para quem continua a realizar filmes - respondeu em francês, agradecendo a distinção e declarou que é "uma grande honra" receber a prestigiada condecoração. De acordo com a Rádio Renascença, a assistência contou com o presidente da Câmara do Porto, o secretário de estado da Cultura e o realizador João Botelho. Em comunicado, o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho congratulou-se com a distinção atribuída a Manoel de Oliveira e referiu um conjunto de comendas nacionais atribuídas ao cineasta em décadas anteriores, como a Comenda e a Grã-Cruz de Sant'Iago da Espada ou a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique.

A Legião de Honra é uma condecoração instituída por Napoleão Bonaparte em 1802, que visa distinguir aqueles que prestaram serviços de grau elevado à França. A sua ideia inicial, no âmbito das mudanças culturais da Revolução Francesa, era criar uma nova nobreza revolucionária baseada no mérito, e não no nascimento. Com o tempo, a Legião de Honra passou a estender-se a outras áreas de actividade que não apenas a política e a militar, e a cidadãos naturais de outros países.

Precisamente hoje, Manoel de Oliveira comemora o seu 106º aniversário. Hoje mesmo, e também para assinalar a data, será estreado o seu último filme, O Velho do Restelo. Conforme havia sido noticiado, o filme retrata um diálogo entre vários personagens históricos, e foi filmado num jardim próximo da casa de Oliveira. Manoel de Oliveira tem projectos e ideias para muito mais filmes e espera-se que comece a breve a realizar o próximo, pois continua com energia e lucidez para tal - mesmo sem haver ainda confirmação oficial.