Numa alegoria, por excelência, à Natividade e também à Sagrada Família, o presépio tornou-se parte integrante das decorações #Natalícias no nosso país, inicialmente nas igrejas, passando, posteriormente, a ser ostentado no interior das habitações. Assiste-se, actualmente, à colocação de presépios gigantes em largos e até em rotundas por esse Portugal fora. Alguns deles, como uma forma mais ou menos dissimulada de propaganda eleitoral por parte dos autarcas. Um pouco à semelhança do que se passa com a quantidade de fogo de artifício adquirida pelas autarquias aquando das celebrações da passagem de ano.

Concretamente no que concerne aos presépios, a documentação antiga sobre os mesmos é escassa, mas, ainda assim, é possível afirmar que as primeiras referências aos mesmos no nosso país remontam ao século XVI na cidade de Lisboa.

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Contudo, o advento da arte barroca nos séculos XVII e XVIII, a par do período de maior força das instituições da contra-reforma como a inquisição, levou a uma proliferação de presépios. O terramoto de 1755 terá destruído praticamente todos os presépios existentes nas igrejas de Lisboa.

Surge então um dos principais nomes associados à reconstrução da cidade, Machado de Castro, autor de obras tão emblemáticas como a estátua equestre de D. José no Terreiro do Paço, inaugurada em 1775, bem como a fachada da Basílica da Estrela, cuja construção se iniciou em 1779. Para além destas obras de grande envergadura, Machado de Castro construiu também os dois mais antigos presépios que existem em Portugal. O mais antigo data de 1776 e foi elaborado para a Sé Patriarcal de Lisboa onde ainda se encontra.

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Outro presépio foi construído em 1782 justamente para a então recente Basílica da Estrela, consistindo em 500 figuras em cortiça e terracota.

Sublinhe-se a curiosidade de ter surgido, sensivelmente na mesma altura, em algumas regiões de Espanha, nomeadamente na Catalunha, uma figura insólita denominada de caganer, a qual, tradicionalmente, representava um camponês de barrete vermelho agachado e a defecar. Embora por motivos de pudor essa figura fosse colocada em locais mais recônditos do presépio, parece certo que essa tradição se espalhou, durante o século XIX, por vários pontos da Península Ibérica chegando às Ilhas Canárias e a Portugal, embora por cá a tradição do caganer não tenha vingado.

Actualmente estas figuras continuam a ter importância na Catalunha tornando-se souvenirs daquela região. Contudo passaram a assumir-se como veículos de sátira social, política ou desportiva, uma vez que, cada vez mais, surgem figuras de caganer com as feições de personalidades destas áreas, como o presidente Barack Obama, o futebolista Lioonel Messi ou a cantora Lady Gaga. #Religião