"O Beijo" é a obra mais famosa do pintor simbolista austríaco Gustav Klimt e uma das mais reproduzidas no mundo. É curioso como, encontrando-se entre os mais caros de sempre, os quadros de Klimt se tornaram adorno dos objetos mais insignificantes, desde canecas e t-shirts, a porta-chaves e guardanapos de papel. Existe, inclusivamente, uma Barbie concebida à imagem da sua pintura mais cara: o "Retrato de Adele Bloch-Bauer". Mas o que torna as suas obras, particularmente "O Beijo" (pintado entre 1907 e 1908), tão populares?

"O Beijo" constitui o ponto alto do "período dourado" do pintor. Representa um casal abraçando-se, os seus corpos revestidos por túnicas detalhadamente decoradas, num estilo influenciado quer pelos traços lineares da Arte Nova contemporânea, quer pelas formas orgânicas do movimento inicial das Artes e Ofícios.

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Trata-se de uma pintura a óleo convencional, com aplicação de camadas de folhas de ouro. É alvo de diversas interpretações. Se alguns observam o fascínio pelo erótico e feminino presente nas obras de Klimt, outros destacam a representação terna e romântica da relação amorosa.

Considerado um dos maiores expoentes do movimento de renovação das artes vienenses na viragem para o século XX (integrando o movimento conhecido por Secessão de Viena), a sua técnica era bastante original e extremamente vanguardista para a época.

Mas, a natureza inovadora da sua técnica não explica, por si só, o seu sucesso. De acordo com o crítico de arte Richard Cork, a esse aspeto acresce o caráter sedutor dos seus temas, ao qual as pessoas respondem quase instintivamente. Mesmo os padrões mais abstratos, decorativos e coloridos, têm essa subtil capacidade de atração.

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Há um sentido de liberdade no trabalho de Klimt e uma capacidade inspiradora, com os quais as pessoas se identificam.

O seu espírito radical e controverso é algo em que as jovens gerações se reconhecem. Segundo Klaus Pokorny, do Museu Leopold de Viena, "ninguém foi capaz de sintetizar sentimentos de amor, paixão e desejo, mas também de desespero e ansiedade, como Klimt".

Por outro lado, "as pessoas gostam de ouro", diz Alfred Weidinger, vice-diretor do Museu Belvedere de Viena, onde se encontra "O Beijo". "É por esse aspeto metálico que as pessoas se sentem atraídas". Numa viagem pelo continente africano, percebeu que essa atração era verdadeiramente global, quando conheceu uma mulher do sul rural profundo que vestia uma t-shirt de "O Beijo". Explicou que lhe tinham dado a escolher entre três t-shirts e, apesar de não conhecer nada do artista, optou pela de Klimt porque, simplesmente, adorou o dourado na imagem. #Curiosidades