São os prémios mais ambicionados em Hollywood. Todos os anos, no mês de Novembro, mais de seis mil membros da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas recebem um boletim de nomeações para os Óscares. Nele, devem escolher os seus cinco filmes favoritos em cada categoria, desde melhor realizador a melhor guarda-roupa. Depois de os votos serem contabilizados, os prémios são entregues numa cerimónia cheia de pompa e circunstância, que este ano se realiza a 22 de Fevereiro. Mas como são, exactamente, decididos os Óscares?

O The Economist explicou recentemente todo o processo. Os membros da Academia são todos profissionais da indústria, em actividade ou retirados.

Publicidade
Publicidade

Ou foram indicados pelos seus pares ou são, eles próprios, vencedores da famosa estatueta. Cada um pode nomear apenas dentro da sua área (há 17 ramos diferentes dentro da Academia). Por exemplo, um escritor não pode submeter uma nomeação para os melhores efeitos sonoros.

A auditora PricewaterhouseCoopers é responsável pela contagem dos votos. Começam por contar aqueles que os votantes elegeram como a sua primeira escolha para cada categoria. Todos os que ultrapassem o número de votos previamente estabelecido asseguram uma nomeação. O filme com menos votos é eliminado. Passa-se depois para as segundas escolhas e o processo repete-se até que estejam encontrados os cinco nomeados (excepto na categoria de melhor filme, que pode ter até dez indicações para prémio).

Se um filme tiver um número muito grande de nomeações, o que faria com que muitos dos seus votos fossem desperdiçados, um método alternativo entra em cena e os votos em excesso são redistribuídos ponderadamente pelos seguintes candidatos com mais votos.

Publicidade

Depois de os nomeados para cada categoria serem anunciados, os membros da Academia recebem um segundo boletim, no qual indicam simplesmente o seu favorito em cada categoria. Nesta segunda ronda de votos já podem votar em categorias fora das suas especialidades, mas são aconselhados a evitar votar naquelas em que não têm conhecimento.

"Há quem pense que este processo tem problemas", escreveu o The Economist. "Por exemplo, os votantes não podem escolher filmes que não tenham visto", apontou. Outra questão é que a Academia não é propriamente diversificada: um relatório de 2012 indicou que 94 por cento dos membros eram brancos e mais de 77 por cento eram homens. A situação está a melhorar, considera Gareth Ellis-Unwin, produtor e membro da Academia. Mas há muito caminho a percorrer. "Selma", a aclamada biografia de Martin Luther King, recebeu apenas duas nomeações: há quem acredite que este e outros deslizes (como o facto de todos os candidatos a melhor actor ou actriz serem brancos) se devem à falta de diversidade da Academia.

Publicidade

Os prémios são, ao mesmo tempo, lucrativos e dispendiosos. Ellis-Unwin compara-os a uma campanha eleitoral, onde valores até 10 milhões de dólares chagam a ser gastos para influenciar os votantes. Isto significa que as produções mais pequenas partem sempre em desvantagem. Mas é um risco a correr. Ganhar um Óscar, geralmente, melhora os resultados de bilheteira dos filmes e eleva a reputação (e o ego) das estrelas envolvidas. A campanha deste ano está a chegar ao fim. Os membros da Academia já receberam o segundo boletim e os vencedores serão escolhidos nas próximas semanas. Depois, começa o drama em torno da cerimónia. #Entretenimento #Cinema