O fotógrafo português Daniel Rodrigues sempre sonhou visitar a floresta Amazónica, e finalmente teve essa oportunidade no ano passado. Depois de dois anos a juntar dinheiro e de muitas guerras com a burocracia do governo, Rodrigues chegou, enfim, a um sítio que muitos podem chamar um paraíso na Terra: o Alto Turiaçu, onde vagueiam os Awa-Guaja. O trabalho que Daniel fez no Brasil foi hoje publicado no site da CNN. "Queria mostrar o dia-a-dia de uma das tribos mais ameaçadas no mundo", disse.

Segundo a Fundação Nacional do Índio, o estilo de vida dos Awa-Guaja está ameaçado pelos implacáveis madeireiros que continuam a invadir ilegalmente as suas terras.

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Muitos índios Awa tiveram pouco ou nenhum contacto com o mundo exterior, mas isso começa a mudar à medida que os madeireiros destroem a floresta, da qual depende a sua existência, alerta a fundação. Daniel Rodriguez dispôs-se a documentar a existência "pura, cristalina e, tragicamente, fugaz" da tribo. "Já tinha viajado para África e outros locais remotos, onde as pessoas sabiam, pelo menos, o que era uma câmara, contou. "Ali estava eu, no século XXI, com outros seres humanos que (até há pouco) nunca tinham visto uma câmara, um computador… nunca viram um chuveiro e ficaram chocados quando viram um helicóptero. E, no entanto, são extremamente felizes".

O jovem português teve de comunicar através de gestos durante várias semanas, uma vez que os membros da tribo não falavam português. "Apontava numa direcção para dizer que o sol se estava a pôr e fazia gestos com as mãos para fazer perguntas sobre a caça", recordou.

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"Eles foram incrivelmente amigáveis e fui muito bem recebido". Daniel imergiu na vida dos Awa-Gaja. Os sons orquestrais da floresta ecoavam por trás de cada momento, algo a que as suas fotografias parecem aludir, refere o texto da CNN. "Desviando-se dos retratos formais habitualmente vistos na etnofotografia, as fotografias a preto e branco de Rodrigues estão repletas de uma honestidade que só pode resultar de um pacto amigável com os seus sujeitos.

Os Awa claramente confiaram na câmara de Rodrigues, e no trabalho resultante podemos ver claramente quão bem-versado ele se tornou com o estilo de vida dos Awa. A qualidade cinematográfica de algumas imagens nas cenas de caça é um testamento da resistência do fotógrafo e do seu apreço por uma forma de espírito desportivo altamente espiritual", lê-se. Expedições de 12 horas para caçar eram comuns, atravessando a densa selva durante as chuvas monçónicas. "Andávamos horas e horas, cortando caminho pela floresta para procurarmos a presa. Os Awa andavam sempre descalços", ilustrou Daniel, recordando uma situação mais perigosa que viveu quando caçavam um puma vermelho.

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"O caçador falhou e o puma saltou na minha direcção", contou. "Entretanto, estava a ter uma reacção alérgica a uma picada de uma aranha. Não foi fácil", acrescentou.

Há vários grupos de Awa-Guajas em diferentes partes da floresta. Alguns foram descobertos nos anos 70, outros apenas na década de 80. É de crer que muitos estarão ainda escondidos. Já este mês, a agência de notícias do Brasil reportou que três índios Awa que viviam isolados contactaram o grupo principal. O líder do grupo, Amakaria, disse que os madeireiros estavam a marcar árvores e ameaçaram matá-los. O governo brasileiro lançou uma operação militar nos estados do Pará e Maranhão, o epicentro da guerra entre madeireiros e índios. Recentes imagens de satélite mostram que novos caminhos estão constantemente a ser abertos pelos madeireiros. #Natureza