Lapsley é um caso sério. Um caso à parte, sejamos correctos. À parte e sério. Aos 17 anos, Holly Lapsley Fletcher, a miúda de que se fala, de Liverpool, surpreendeu com o seu EP de estreia, Monday, gravado no seu quarto. Composto por quatro temas, mostrava um estilo musical electrónico, minimalista mas profundo, muito identificável, certamente influenciada pelo seu conterrâneo James Blake. Station, a mostra seguinte do seu trabalho, revelou-se uma evolução do que tinha apresentado antes, desta vez numa escala muito mais global. Não era apenas Liverpool que ficava de boca aberta ao ouvir Lapsley, agora eram os críticos mais atentos de todo o mundo que não se cansavam de elogiar a jovem britânica.

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Era tida (e é, justamente) como o novo James Blake, no feminino. A qualidade do seu trabalho é tal, que muita gente pensou que Station era um novo tema de James.

Estava formalmente apresentada ao mundo e cada vez mais pessoas começaram a contactar com a sua #Música. Neste momento Station foi escutada quase 800.000 vezes no Soundcloud, 2.800.000 ocasiões no Spotify e o vídeo oficial teve quase 350.000 visualizações no Youtube.

Seguiu-se Painter (Valentine) e começavam a faltar adjectivos para Lapsley. O tema entrou para a playlist da BBC Radio 1 e teve honras de ser tocado diariamente. Os pedidos de colaboração começaram a aparecer e os prémios também. Em Abril de 2014, Lapsley venceu o prestigiado Merseyside's GIT One to Watch, que premeia as grandes revelações musicais e foi considerada uma das maiores apostas para 2015.

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Rapidamente a editora XL Recordings reparou no seu talento e assinou contrato com Lapsley. O primeiro resultado é o novíssimo EP Understudy, lançado ao mercado em Janeiro. Pela primeira vez Lapsley vê as suas músicas receberem um tratamento especial, com produção profissional, pois todos os temas anteriores tinham sido gravados e produzidos pela própria.

São apenas quatro canções, a única desilusão do disco. Abre com Falling Short, que já tinha sido desvendada no final de 2014. É a evolução natural de Station ou Painter, na mesma linha intimista e melancólica, mas a mostrar, desde logo que o som apurado era já resultado da interferência da XL Recordings. Segue-se Brownlow, mais alegre, a beber muito em Jamie XX, com uma batida suave, mas a piscar o olho a remixes para as pistas de dança. 8896 é a música que se segue, regressando a um ritmo mais lento, mas mantendo a nossa atenção nos píncaros. O disco encerra com Dancing, uma canção onde Lapsley dá a conhecer mais profundamente as suas capacidades vocais, numa interpretação mais intensa, muito menos envergonhada.

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Em resumo, Understudy é a confirmação de todo o talento desta teenager de Liverpool. Pode ter perdido o encanto de edição de autor que tinha todo o trabalho anterior, pode ter perdido encanto por ser agora um produto profissional e com um objectivo mais comercial, mas ganhou muito em qualidade final, resultando em algo muito bem produzido, quase perfeito. Para o ser, teria de ter mais do que apenas quatro temas.

Nota: 8/ 10.