A banda britânica Archive regressou aos discos, mais propriamente aos de longa duração, ao apresentar o mais recente trabalho, Restriction. Trata-se do décimo álbum da banda, editado pela PIAS Records a 12 de Janeiro. Restriction é composto por 12 temas que espelham perfeitamente tudo o que os Archive têm feito ao longo de 20 anos de carreira: trip hop, rock, electrónica. Um regresso quase perfeito mas, como quase sempre na carreira da banda, provavelmente cedo demais. Os Archive habituaram-nos a estar uns bons anos à frente da realidade musical, mas não é isso que acontece sempre com as grandes bandas?

O álbum abre com o tema Feel it, algo minimalista e lo-fi, mas um convite descarado para isso mesmo, para sentirmos este trabalho.

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Esta primeira canção tem o condão de nos abrir espiritualmente, mas não nos prepara para o que se segue, o tema que deu nome ao álbum. Restriction é cheia de ritmo, de força e dinâmica e é aqui que percebemos que este disco é mesmo para sentir.

Seguem-se Kid corner e End of our days, os primeiros temas do disco vocalizados no feminino. O nível continua nivelado por cima e começamos a ter a certeza de que estamos perante um disco de referência da banda. Third quarter storm e Half built houses são obras-primas no que a Archive diz respeito. Mergulham-nos numa realidade típica da banda, que tanto nos leva a vivenciar uma paz de espírito quase transcendente, como logo de seguida nos aterroriza, nos provoca um medo inexplicável e um frio nos invade, a subir pela coluna. Mais uma vez, este disco é para sentir, está visto.

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Riding in squares é negra. Negra no ritmo, negra nas palavras, negra no ambiente. Faz-nos revisitar outros nomes consagrados como Tricky ou Massive Attack. Segue-se Ruination, mais rock, mais pop, no limite do dançável, um exemplo de que os Archive também saberiam render-se ao mercado, se assim o desejassem.

Crushed não desilude, longe disso, mas é claramente o ponto fraco do disco. Pouco acrescenta, são quase 6 minutos de algo que já ouvimos muitas vezes na discografia da banda. Chegamos ao fim e temos de nos certificar se estivemos mesmo a ouvir Restriction ou, por exemplo, Controlling crowds. Segue-se algo de sublime, Black and blue, na voz de Holly Martin, que repetitivamente nos diz que nos ama... Dave Penn traz-nos Greater goodbye, tema surpreendente, do princípio ao fim. Delicioso!

O disco fecha com Ladders, tema de início épico, orquestral e que a meio nos deixa em suspenso, sem saber com o que contar. Subitamente, guitarras, bateria, ritmo, sempre a abrir até ao fim. Ficamos dominados, prontos para mais uma hora de #Música, no mínimo e de repente o álbum acaba...

Restriction é um regresso fantástico dos Archive aos discos; é talvez dos melhores trabalhos da banda, mas arrisca-se a ficar esquecido na história musical.

Nota: 7,5/ 10. #Entretenimento