Não é fácil uma banda instrumental chegar ao sucesso. A #Música pop transformou a voz numa espécie de elemento obrigatório na receita de quem procura vingar na indústria musical. Mas lá está, o sucesso e a fama não estão no topo das prioridades dos ingleses Spiro. O quarteto oriundo de Bristol está mais empenhado em compor, tocar e gravar música autêntica, original e honesta. Ainda assim, os amantes de folk britânico deram por eles nos últimos anos, com dois discos lançados pela editora de Peter Gabriel, Real World Records: "Lightbox" (de 2009) e "Kaleidophonica" (de 2012).

Foi no entanto em 1997 que tudo começou para os Spiro.

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Nesse ano, auto-financiaram e lançaram o seu primeiro álbum com a nova designação - anteriormente chamavam-se The Famous Five - e conseguiram a atenção do público, que se mostrou intrigado pela mistura de folk celta do norte da Inglaterra, música acústica e influências clássicas minimalistas que praticavam. O trabalho chamava-se "Pole Star" e foi agora reeditado pela Real World.

Ao longo das 13 faixas do disco, os Spiro conseguem manter uma incrível dinâmica melódica, alternando a "voz" das faixas entre os vários instrumentos de cordas que usam (violino, viola, mandolim, guitarra acústica e violoncelo) e o acordeão. A música dos Spiro nunca é uma pilha de arranjos colocados desordenadamente; possui uma estrutura bem pensada, uma melodia que serve de refrão e (quase) sempre um ambiente envolvente que convida à dança ou, vá lá, a bater o pé.

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Para esta admirável coesão contribui com certeza o facto de o quarteto estar junto, sem qualquer alteração na sua formação, desde o início do projeto há mais de duas décadas. A magia e paixão de "Pole Star" são de tal forma intensas que, durante a sessão de gravação, a cantora dos Cocteau Twins, Liz Fraser, presente no mesmo estúdio para gravar as vocalizações do tema "Teardrop" do álbum "Mezzanine" (dos Massive Attack), ficou fascinada pela música que se ouvia no andar de baixo e não evitou ir lá ver quem a tocava. E, se é bom para Liz Fraser e para Peter Gabriel, é certamente bom para nós. #Entretenimento