O comentador americano Jon Stewart estreia-se no mundo da realização com o filme Rosewater (Uma Esperança de Liberdade, em português). O drama estreou esta semana nos cinemas nacionais, no dia 8 de Janeiro. Talvez movido por um sentimento de culpa, Stewart optou por iniciar a sua carreira cinematográfica com uma história verídica, da qual o próprio fez parte, mesmo que involuntariamente.

Estamos no ano de 2009, na altura das eleições presidenciais do Irão. Mir-Hossein Mousavi e Mahmoud Ahmadinejad, na altura presidente do país, enfrentam-se numa luta pelo poder político do Irão. O protagonista desta história, Maziar Bahari, é um jornalista que nasceu no Teerão, mas que na altura residia em Londres, com a sua família.

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Porém, Bahari é obrigado a voltar ao seu país-natal, a mando da Newsweek, onde era repórter televisivo. Responsável pela cobertura destas eleições, o jornalista vê-se preso no meio de uma confusão, que surge quando o polémico Ahmadinejad é reeleito. Os apoiantes de Mousavi, o opositor de Ahmadinejad, iniciam várias manifestações que originam uma dura campanha de repressão política no país.

Mas, afinal qual foi o papel de Jon Stewart, nesta história? Em 2009, o realizador, que era um apresentador e comentador político na televisão americana, filmou um sketch em que questionava Maziar Bahari sobre a sua missão de espionagem a soldo do ocidente. Face aos acontecimentos, Bahari é detido pelas forças iranianas, sob a suspeita de ser um espião. O jornalista ficou encarcerado durante 118 dias e foi submetido a duros interrogatórios e até a tortura.

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Após a sua libertação, Bahari publicou um livro sobre os 4 meses que passou preso, Then They Came for Me. Stewart baseou-se no mesmo para construir o drama, que chega agora a Portugal. Gael García Bernal juntou-se ao realizador, para dar vida ao jornalista iraniano.

À semelhança do desastre que ocorreu esta semana no jornal satírico Charlie Hebdo, do qual resultaram 12 mortes, também o caso de Bahari se tornou global e recebeu várias declarações de solidariedade e pressões diplomáticas, com o objectivo de libertá-lo. Isto só nos mostra a importância dada à liberdade de imprensa e como a liberdade de expressão deve ser valorizada, uma vez que, de tempos a tempos, é posta em causa.

Rosewater - Uma Esperança de Liberdade, não podia ter chegado em melhor altura, apesar dos recentes acontecimentos, em Paris. Todo o mundo deve entender que, a liberdade de expressão é um direito que não deve ser negado a ninguém, seja jornalista ou não. É importante que se perceba que, uma vez que a voz do jornalista perca a liberdade, todo o mundo a perderá, pois o jornalista é a voz do povo. #Cinema