Ups they did it again! Calças à boca de sino, chockers no pescoço, gel em demasia, ganga da cabeça aos pés, baby tees e ténis chungas. Tragam tudo isso de volta, mas a #Música não. Não nos façam isso de novo por favor!

Muitos de nós vivemos nessa época sombria, mas pior mesmo é ter sido pré-adolescente nos anos 90. Altura em que reverteram o pop, em que proxenetas se apoderaram da indústria da música e usaram o pop como a sua maior arma de aniquilação de tudo o que é bom e bonito na cultura pop. Uma máquina de fazer dinheiro baseada no sexo que deixou muitas marcas na sociedade e ameaça estar de volta. Na música que nos chega de fora o cenário é mais evidente, mas a música portuguesa começa a revelar sintomas preocupantes: voltaram as boys bands alimentadas com ração MTV; Vistos Gold são dados a artistas com letras e melodias duvidosas; e os sintetizadores são levados ao extremo.

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Não me levem a mal, os anos 90 também nos trouxeram muito boa música, principalmente hip-hop (Tupac) e rock (Grunge), até o NU-Metal passa, mas subverteram o pop e isso é imperdoável. Tornaram-no sujo, mancharam-no com um tom verde nota e este nunca mais foi o mesmo. Com o passar dos anos foi aos poucos endireitando-se, mas com medo que o comboio voltasse a descarrilar após tanto trabalho, puxaram os meninos todos pelas orelhas, encheram-lhe os narizes e deram-lhes instruções minuciosas sobre como vender sexo e música num pacote sexy e extremamente rentável.

Depois dos anos 90 surgiu a noção hipster (antes de ser hipster deixar de ser hipster), de que se algo é conhecido demais deixa de ser cool, mas apenas, e apenas porque, aprendemos que o que chega às massas em grande quantidade é suspeito.

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"Ontem não sabia quem era esta banda, agora está em todo o lado?!". Fizeram de nós eternos céticos cientes das técnicas de comercialização da indústria musical, uma indústria que não deixa de ser indústria por se basear numa arte, mas cuja subversão é perigosa.

Como se não bastasse tornaram outros géneros e movimentos urbanos em pop sujo, compraram o Punk Rock para os Blink 182, os skates para a Avril Lavigne, e tornaram betinhas em profissionais da mais antiga profissão. Por cá há esperança, há uns anos que vejo as coisas bem encaminhadas, a nova música é boa, mesmo boa!

O medo mais recente recai mesmo sobre os media, há mudanças a acontecerem e bandas a transitarem com extrema facilidade de meio em meio até que se espalham tipo vírus. Receamos que transformem rádios alternativas que têm uma programação extremamente cuidada no que toca à música, naquelas que passam os hits, os tops, o mainstream, que se regem por uma lógica assumidamente e puramente comercial. Há espaço para todos e a balança não pode pender tanto para o lado negro da força! Temos de tornar a minoria na maioria para que, quem merece, consiga viver confortavelmente da música. Por favor não queremos mais uma geração culturalmente irrelevante... swag on!