A partir de amanhã, estarão em exibição no Museu Fitzwilliam, em Cambridge duas esculturas, conhecidas como os Bronzes de Rothschild, atribuídas ao artista renascentista Miguel Ângelo. O que torna esta exposição tão importante é o facto destas esculturas constituírem parte dos trabalhos pioneiros do artista e serem as suas únicas peças em bronze a chegar aos nossos dias. As estátuas, com o nome do seu primeiro dono (Baron Adolphe de Rothschild), mas atualmente pertença dum proprietário privado britânico, representam dois homens nus, elegantes e viris, montando de forma triunfante duas ferozes panteras. Terão sido esculpidas entre 1506 e 1508, após a finalização da estátua de David e antes do artista iniciar os trabalhos no teto da Capela Sistina.

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As evidências da atribuição a Miguel Ângelo foram apresentadas por uma equipa de especialistas internacionais de diferentes áreas, tendo sido crucial a observação dum pequeno detalhe num desenho dum aprendiz do artista, atualmente presente no Museu Fabre, em Montpellier, que mostra um jovem musculado, montando uma pantera, numa pose semelhante.

Para além da ligação das esculturas ao desenho, estabelecida pelo professor de #História de arte, Paul Joannides, da Universidade de Cambridge, foram realizadas outras pesquisas, nomeadamente um exame de neutrões, que colocou a estátua no século XVI. Investigações do anatomista clínico Peter Abrahams, da Universidade de Warwick, demonstraram também que cada detalhe das estátuas corresponde perfeitamente ao estilo do artista, desde a definição dos músculos até ao umbigo, à semelhança da estátua de mármore de David e dos nus da Capela Sistina.

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Segundo Victoria Avery, conservadora do Museu Fitzwilliam: "quem as produziu possuía claramente um profundo interesse pelo corpo masculino… a anatomia é perfeita." Acrescenta que: "a modelação é magnífica, são tão poderosas e admiráveis, que quem as fez teria que ser magnífico."

Em termos de história de arte, esta atribuição é verdadeiramente extraordinária, já que, como inicialmente referido, constituem as únicas peças em bronze de Miguel Ângelo a chegar aos nossos dias.