Já é conhecido o título do próximo filme da saga James Bond: "Spectre". Para os mais atentos, não é um termo desconhecido, já que Sprectre é o nome da organização secreta que o agente secreto combateu nos seus primeiros filmes e que depois desapareceu sem deixar rasto. Há uma razão para que isso tenha acontecido. E tudo começou quando, em 1959, Ian Flemming, o criador da personagem, decidiu escrever um argumento de um filme para o produtor Kevin McClory. Reza a lenda que Flemming teve que abandonar o projecto e que McClory chamou o argumentista Jack Whittingham para terminar a tarefa. O filme acabou por não ir avante, mas Flemming aproveitou as ideias para o seu romance "Thunderball", publicado em 1961, inclusive o termo Spectre. Até então, era a Smersh a principal opositora da personagem; era uma organização soviética de contra espionagem, inspirada na organização verídica que foi fundada pelos soviéticos em 1942 para subverter as tentativas dos nazis de se infiltrarem no exército vermelho, acabando por ser dissolvida em 1946.

Obviamente, McClory não ficou satisfeito por ver que Flemming publicou o livro como sendo da sua autoria e, não conseguindo impedir a publicação de "Thunderball", e como o escritor se encontrava bastante doente na altura, chegaram a um acordo fora dos tribunais que estabelecia que Flemming teria os direitos para o romance (tendo que ficar registado que o romance foi adaptado de um argumento tendo como autores McClory, Whittingham e Flemming), enquanto McClory ficaria com os direitos para o filme. Em todos os filmes até então, a Spectre era a organização inimiga - mesmo quando nos livros não havia nenhuma organização por trás ou quando havia, era a Smersh -, que tanto McClory como Flemming reclamavam como sendo sua criação, assim como o seu cabecilha, Blofeld.

Quando a EON, a empresa responsável pelos filmes, pretendeu adaptar o romance "Thunderball - Operação Relâmpago" para o #Cinema, teve que chegar a acordo com McClory: permitiam que este fizesse a sua versão do filme dez anos depois e dava os direitos à EON para utilizar o termo Spectre e a personagem Blofeld durante os dez anos seguintes. Além disso, também o creditaram como produtor no filme. O filme que McClory fez foi "Nunca Digas Nunca" (título que fazia referência ao que Sean Connery tinha dito sobre nunca mais voltar a vestir a pele de James Bond) e a série oficial prosseguiu com uma série de adaptações dos romances de Flemming, que foram obrigados a contornar por questões legais todos os termos proibidos, apesar de no filme de 1981, "Missão Ultra-Secreta", ter sido feita uma referência óbvia à personagem Blofeld, mesmo nunca tendo sido dito o seu nome.

O ano passado, com a morte de McClory, a EON conseguiu recuperar os direitos, estando abertas as portas para introduzir a organização Spectre nesta segunda vida, após o reboot do mais famoso agente secreto do mundo, agora interpretado por Daniel Craig. Será um dos grandes filmes do final do presente ano. #Entretenimento