Confraria Vermelha - Livraria de Mulheres. Este é um nome que pode soar estranho a muitos - o que é, afinal, uma livraria de mulheres? Uma livraria de mulheres é, como o título indica, uma livraria onde se podem encontrar livros escritos por e sobre mulheres, dando-lhes assim um lugar de destaque numa arte cujo cânone é largamente dominado por homens e onde as mulheres são frequentemente esquecidas ou vistas como autoras de #Literatura inferior, onde a imagem mais comum é a dos livros de capas cor-de-rosa envolvidos em sacos de gaze. Há cerca de cinquenta livrarias de mulheres em todo o mundo, e é um conceito que se pode encontrar na Península Ibérica, sendo já há alguns anos possível visitar livrarias de mulheres em Madrid, Barcelona e outras cidades espanholas.

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Mas não é um conceito que exista em Portugal. Pelo menos não por enquanto, pois há um projecto que planeia abrir uma livraria de mulheres no Porto, nesta primavera.

Um quarto próprio

De acordo com Aida, de 33 anos, promotora e mente por detrás do plano, a Confraria Vermelha tratar-se-á de "um lugar de encontro (…) um lugar onde encontras livros que falam de igualdade, de conquistas, de lutas, de sexualidades, de violências, de maternidades, de arte, de poesia… de vida". Aida inspira-se no título de um livro de Virginia Woolf, famosa escritora feminista, "Um Quarto Próprio", explicando que procura abrir um espaço de livros e de partilha, um espaço "próprio" para as mulheres, onde todas possam caber e onde encontrem não só livros, mas mais que isso, onde possam também desenvolver e participar em actividades e eventos culturais e educativos, como apresentações de livros, projecções de filmes, a organização de um clube de leitura e, é claro, a celebração de dias como o Dia da Mulher e o Dia do Livro.

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É de um sonho de infância em tornar-se livreira, reforçado por visitas a livrarias de mulheres noutros países (que são agora a primeira coisa que Aida procura quando viaja) e pelo contacto com as livreiras por detrás desses balcões, que nasce esta ideia, declaradamente feminista, que procura dar às mulheres (e aos homens, sempre bem vindos) um espaço novo, onde se possa crescer culturalmente, um espaço que é não só "um quarto próprio", uma livraria para encontrar autoras que dificilmente se encontram noutras livrarias generalistas, mas que se afirma como um espaço de liberdade onde se pode sair da rotina diária, partilhar ideias e "viver perigosamente". Porque as mulheres que lêem são perigosas.

Em Lisboa, é possível conhecer o projecto, apresentado pela própria autora, dia 27 de Fevereiro às 18h30, no LARGO Café Estúdio (Largo do Intendente, 17). É ainda possível apoiar a Confraria Vermelha no PPL até 20 de Março.