O que têm The Hunger Games: Mockingjay Part I, Lucy ou Divergent em comum? São todos filmes de sucesso protagonizados por mulheres e exceções à regra. Uma regra já antiga. Segundo um estudo do Center for the Study of Women in Television & Films, da Universidade Estadual de San Diego, nos Estados Unidos, dos cem filmes mais rentáveis de 2014, apenas 12% têm como protagonista mulheres, representando uma queda de três pontos percentuais em relação ao ano anterior e de quatro em relação a 2002.

No relatório em questão, a investigadora Martha M. Lauzen conclui que continua a haver uma especial preferência em construir personagens, tendo por base os tradicionais estereótipos associados ao sexo feminino e masculino. Por um lado, a aparência mantém-se um critério necessário na hora de escolher a atriz: as figuras femininas são mais jovens que a contraparte masculina, dominando a faixa etária dos 20 e 30 anos. Pelo contrário, aos homens já se permite um ligeiro envelhecimento, predominando a faixa entre os 30 e os 40 anos. Ao olharmos para a casa dos 50, a diferença na relação género-idade torna-se bem mais visível, com o dobro de homens com mais de 50 anos comparativamente às mulheres com a mesma idade (18% e 9% respetivamente).

Por outro lado, as mulheres são mais prováveis de serem associadas a papéis relacionados com a vida pessoal, como esposa ou mãe, comparativamente aos homens (58% contra 31%), enquanto estes têm maior probabilidade de ser associados a papéis relacionados com o trabalho e com a liderança. O mesmo estudo mostrou ainda uma menor diversidade étnica na sétima arte em relação ao período homónimo de 2013: do total de personagens femininas, houve menos atrizes negras e latinas do que no passado ano (menos três e um ponto percentual respectivamente). Mas, dado curioso, houve um pequeno incremento de atrizes asiáticas. Sublinhe-se o "pequeno" - um ponto percentual. #Cinema

Em pleno século XXI, numa época em que o feminismo ocupa cada vez mais um lugar de destaque na agenda pública, a luta pela igualdade continua a encontrar obstáculos e retrocessos. Esperemos que campanhas como o He For She de Emma Watson comecem não só a crescer, mas também a mostrar resultados e que 2015 represente um ano de viragem em Hollywood.