Miguel Ângelo é para muitos o mais conhecido escultor renascentista a trabalhar com mármore. Também trabalhou com bronze, mas até agora, pensou-se que nenhum desses trabalhos teria sobrevivido até aos nossos dias. Agora, peritos da Universidade de Cambridge e do Museu Fitzwilliam (também em Cambridge) estão a pôr essa ideia à prova. Eles apresentaram duas esculturas, dois nus masculinos, como sendo o trabalho do próprio Miguel Ângelo. Ambas as figuras apresentam-se montadas em panteras e de braços levantados, um jovem e outro mais velho. Se esta atribuição for reconhecida por outros investigadores da comunidade científica, as estátuas de bronze com um metro de altura serão a segunda mais espectacular descoberta deste século, referente à arte renascentista, depois da aclamada descoberta da obra "Salvator Mundi", de Leonardo da Vinci.

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O investigador a ligar as estátuas de bronze ao principal escultor renascentista é Paul Joannides, um professor de #História de Arte em Cambridge. Quando o proprietário das esculturas de bronze foi ao seu encontro com o objectivo de tirar partido do seu conhecimento artístico, de forma a fazer uma avaliação, o professor disse que as esculturas lhe lembravam um desenho, feito por um aprendiz do Mestre Miguel Ângelo, que obteve no Museu Fabre, em Montpellier. Esse desenho reproduzia fielmente um esboço feito pelo mestre onde mostrava um jovem bem constituído montado numa pantera. A forma vigorosa com que Miguel Ângelo desenhava as suas esculturas estava bem patente.

O professor encontrou outros elementos comuns. O Museu Albertina em Viena tem um conjunto de desenhos atribuídos a Miguel Ângelo onde estão representadas figuras de leões e panteras; na primeira década do século XVI, ele e o seu círculo de artistas tinham interesse nos grandes felinos, como se veio a saber.

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O professor concluiu que as esculturas foram feitas efectivamente por Miguel Ângelo, na altura em que ele estava prestes a começar a sua grande obra, a pintura da Capela Cistina.

A atribuição de autoria de uma obra a Miguel Ângelo é algo perigoso, explicou o Professor Joannides. Todos os anos aparecem pessoas a exclamarem que têm em sua posse obras de Miguel Ângelo, pinturas ou esculturas, e 99,99% das vezes, revelam-se pura fantasia. O que o faz estar tão confiante desta vez? Os bronzes são do estilo de Miguel Ângelo, da primeira década do século XVI, e reflectem um conhecimento de anatomia que só ele e Leonardo Da Vinci possuíam naquela altura. Não se conhece nenhuma outra alternativa credível para a autoria destas esculturas, segundo o Professor.

Outros especialistas estão a apoiar a teoria do Professor Joannides. Técnicos de conservação e restauro do Rijksmuseum em Amesterdão determinaram através de Raio-X neutrónico, a datação das esculturas. Estas apontam para o século XV tardio ou inícios do século XVI.

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Um especialista anatómico da Universidade de Warwick também referiu que os bronzes são de uma precisão anatómica notável. As conclusões de todos os especialistas vão ser apresentadas a 6 de Julho numa conferência. Os próximos meses irão aferir se realmente se trata de uma espantosa descoberta, própria de uma grande exibição num grande museu, ou se a sua autenticidade continuará a ser questionada.