Um conjunto interdisciplinar de peritos da Universidade canadiana de Acadia pode ter feito uma das maiores e mais polémicas descobertas de sempre. Afirmam que uma máscara fúnebre de 2000 anos foi produzida com o papiro onde se apresenta o Evangelho de S. Marcos, que, assim sendo, é o mais antigo excerto do mundo do Novo Testamento. A controvérsia é ainda maior quando se pensa na possibilidade de desconstruir a máscara para ter acesso total ao documento. A equipa que fez a descoberta já examinou o documento.

Porém, existem vários pormenores que só vão ser revelados ao público no final deste ano (possivelmente a disponibilização de uma imagem do objeto também deverá constar nessa lista, pois até hoje ainda não é conhecido o seu aspeto).

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"Podemos ter em mãos um fragmento de Marcos do século I pela primeira vez na #História", disse o coordenador da equipa, Craig Evans, aos jornais Live Science e ao The Washington Post. Dos poucos dados conhecidos sobre os métodos usados, sabe-se que para obter a datação do fragmento utilizaram-se 3 técnicas: a apreciação da escrita; a aplicação de radio-carbono (também designado de carbono-14) para explorar os restos de matéria viva (como por exemplo as plantas onde se enquadra); e a análise dos demais documentos presentes na máscara.

Sabe-se que os investigadores envolvidos na pesquisa consideram a escritura uma réplica do documento original, que remonta ao ano 90, ou seja, significa que foi redigido apenas 60 anos após o falecimento de Jesus. Até hoje julgava-se que a cópia mais antiga de um evangelho, com genuinidade comprovada, fosse o designado Papiro 52, do século II.

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Esse documento integra um excerto das palavras de S. João, que está guardado em Manchester, na biblioteca John Rylands.

Se recuássemos 2000 anos no tempo, comprovaríamos que só os faraós e as pessoas que lhe eram mais chegadas tinham acesso a máscaras funerárias compostas essencialmente por ouro. Em todos os outros casos, para elaborar tal artefacto, só havia uma solução: pasta de papel. Dado o elevado custo do papiro original, optava-se muitas vezes por papiro já usado. #Curiosidades

E agora? O que fazer? Um dos eternos problemas dos profissionais que lidam com o património cultural é: O que fazer quando se encontra património sobreposto a outro património? Será que existe alguém que possa colocar em causa alguma herança histórica em detrimento de outra? Estas dúvidas também foram já levantadas no âmbito desta descoberta. Vale a pena eliminar a máscara, com mais de 2000 anos, para se ter acesso ao alegado papiro cristão? Não existem outras formas mais simples que permitam a descodificação dos textos sem destruir o artefacto? Muitos cientistas temem já que esta descoberta possa suscitar um grande interesse ao negócio ilegal de arte.