Foi a 12 de outubro de 1895 que surgiu em Portugal o Penhard et Levassor, o primeiro carro em Portugal (que ganhou a alcunha "Carruagem sem Condutor") e que atualmente se encontra no Museu de Transportes e Comunicações do Porto. O proprietário era o Conde de Avilez, de Santarém, que tinha adquirido a viatura em segunda mão em Paris. Se por um lado causou fascínio à população, também provocou medo, pois o barulho e o fumo provocados pela viatura eram enormes.

O automóvel apresentava, sem dúvidas, características que hoje em dia são difíceis de acreditar, mas que eram impressionantes para a época. Fabricado entre 1890 e 1892, a caixa tinha 8 velocidades (4 para a frente e 4 para trás), a embraiagem era em cone guarnecido e coiros, as rodas eram compostas por aros de ferro e madeira, os travões eram 2: de pé (à transmissão) e de mão (por calços de madeira. Mas não é tudo, a velocidade máxima era uns surpreendentes 20 km/h! Um feito para a época! Em 1901, o Código da Estrada estabelecia como limite de velocidade máxima 10 km/h! Quem infringisse a lei, tinha à sua espera uma pesada multa de 20 mil reis.

O rei português D. Carlos, o filho Luís Filipe e o irmão Afonso, mostraram-se imediatamente entusiastas do novo meio de transporte e desempenharam um papel importante na afirmação do setor automobilístico (a título de exemplo, é de realçar que, no Automóvel Clube Português, D. Carlos foi presidente Honorário, D. Luís Filipe foi vice-presidente honorário, e D. Afonso foi presidente honorário da Assembleia Geral). Sem surpresa, adquiriram o seu próprio automóvel.

Este luxo, obviamente, esteve alcance das pessoas de classes sociais mais elevadas. Houve uma evolução gradual no número de venda de carros em Portugal. Em Portugal, foram vendidos em 1900, 13 viaturas, um ano depois, chegaram-se aos 20, em 1902, 51, e em 1903 (devido à bem sucedida corrida Ibérica automobilística Figueira da Foz-Lisboa, iniciativa que foi autoria de Zeferino Cândido, diretor do Jornal A Época, e cuja prova foi ganha pelo Infante Afonso ao "leme" do Fiat de S.A.R) conseguiu-se alcançar as 118 vendas.

Tal como em Inglaterra, até 1928, os carros circulavam no lado esquerdo (uma tradição que vem dos tempos dos cavaleiros da Idade Média. Naquela época, circulavam pela esquerda, para simplificar o uso da espada no caso de se cruzarem com algum inimigo). A alteração do código de estrada motivou uma grande campanha de divulgação. O #Automobilismo português chega ao topo ao acolher prestigiadas competições internacionais como: Fórmula 1 (1958, 1959, 1960, década de 80 e 90) ou o Rali Internacional Tap (1967).

Carros Portugueses

Portugal nunca conseguiu marcar o seu espaço enquanto fabricante de carros, porém fez algumas tentativas. Tem-se conhecimento de que, em 1899, o Presidente da Empresa Industrial Portuguesa, Fernando Baerlein foi o primeiro a apostar num carro 100% lusitano, Contou com a ajuda do engenheiro francês Alber Beauvulet. Foram desenvolvidos alguns modelos, mas o projeto não vingou. #Inovação #História