Investigadores da Universidade de Buenos Aires dizem ter razões para acreditar que o regime nazi preparou um projeto secreto a pôr em prática, caso a Alemanha perde-se a II Guerra Mundial. Projeto esse que consistia na construção de abrigos em locais remotos a servir de nova residência às mais altas patentes do partido. As especulações cresceram depois de uma equipa de arqueólogos ter encontrado vestígios da presença alemã numas ruínas localizadas algures no meio da selva, no parque Teyú Cuaré.

"Aparentemente, a meio da II Guerra Mundial, os nazis desenvolveram um projeto secreto para a construção de refúgios para as mais altas hierarquias do regime em caso de derrota - sítios inacessíveis, no meio de desertos, nas montanhas, num penhasco ou no meio da selva como este", afirmou Daniel Schávelzon, membro da equipa de arqueólogos que dirigiu a investigação, ao diário argentino Clarín.

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Os investigadores encontraram cinco moedas cunhadas durante a vigência do regime nazi e um prato de porcelana com a inscrição "Made In Germany". Além destes vestígios, a localização remota, a alguns quilómetros da cidade de San Ignacio, mas próxima da fronteira com o Paraguai, foram alguns dos argumentos utilizados pela equipa para justificar as suas suspeitas. No entanto, tudo não passa ainda de puras especulações.

A descoberta destes edifícios degradados não é recente. Há várias décadas que estão abertos aos turistas, identificadas como parte das ruínas jesuítas próximas, datadas do século XVII e XVIII. Na placa explicativa podia-se ler: "Na década de 1950 foram remodeladas e habitadas pelo servo mais fiel de Hitler, Martin Bormann". Esta informação, ou melhor, mito argentino foi baseada em dados vendidos pelas autoridades do país sul-americano ao historiador húngaro Ladisla Farago e por muitos vistos como falsos.

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De facto, testes de ADN realizados a ossos encontrados em Berlim mostraram que Bormann não conseguiu sair da Alemanha, tendo sido assassinado quando tentava escapar, em maio de 1945. Quanto à questão das moedas, a razão da sua localização pode dever-se à Argentina ser um dos grandes destinos de imigrantes europeus, desde os inícios do século XX. Da sua atual população, 3 milhões são descendentes de alemães.

Facto ou mito, a verdade é que os esconderijos acabariam por ser desnecessários. Depois do fim da guerra, o presidente da Argentina Juan Péron permitiu a entrada e instalação de milhares de nazis e de outros europeus fascistas no seu país. Um dos casos mais conhecidos foi o de Adolf Eichmann, um dos principais arquitectos do Holocausto, que foi encontrado, em 1960, por um grupo de inteligência israelita, para ser executado como punição dos seus crimes. #História