As cervejas artesanais estão a agitar o mercado português. Há quem comece em casa e não resista a passar para pequenas fábricas. A Sovina e a Burguesa, duas cervejas artesanais da Invicta, explicam-nos o fenómeno. A cerveja artesanal usa quatro ingredientes: malte, lúpulo, água e fermento (ou levedura). E, da mesma forma que o vinho, tem muitas castas, existem imensos tipos de malte, lupos e leveduras. Há muita variedade à mistura na cerveja artesanal.

Quem está no mercado diz que é um produto para ficar: "é um produto que chegou a Portugal, mais tarde do que nos restantes países, mas que irá vingar, naturalmente", explica Hugo Rocha da Cerveja Artesanal Burguesa.

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Acrescenta ainda que o aparecimento das cervejas artesanais está relacionado com uma "crescente procura por um produto diferenciado, com sabores e aromas mais fortes do que os da cerveja industrial". Paula Abreu, da cerveja Sovina, considera que é "um fenómeno de moda mas que veio para ficar." É um produto para quem "procura qualidade não só em degustação, mas na procura de uma bebida natural".

A queda do consumo da cerveja não parece afetar este mercado diferenciado que começa a cativar os consumidores. Segundo Paula Abreu, "o consumo da cerveja industrial está a baixar, mas o da cerveja artesanal está a aumentar". É um produto desconhecido por muitos e que "após provarem ficam fãs", explica Hugo. Este é um mercado que não concorre com os grandes nomes das cervejas industriais, está virado para a diferenciação.

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Baseia-se num conceito de produção focado na qualidade da cerveja. Paula Abreu esclarece que desde a qualidade das matérias-primas (que conferem aromas e sabores únicos) ao facto de não terem corantes nem conservantes, as diferenças entre as cervejas artesanais e industriais são enormes.

Mas parece que é fácil produzir em casa: o investimento inicial ronda os cem euros. Hugo recomenda "começar com uns extratos de malte lupulados, onde, se compra um concentrado de cerveja já feito e se adiciona água, açúcar e levedura e inicia-se o processo de fermentação. Engarrafa-se e, passadas algumas semanas, temos uma cerveja pronta a beber". Paula Abreu, no entanto, alerta: "é fácil, mas, como qualquer hobbie, tem que haver paixão". A Burguesa considera que a cerveja industrial distingue-se pela sua composição "não só ao nível de maltes usados, como também ao nível dos lúpulos e das leveduras" e está dirigido a um consumidor que "pretende saborear uma bebida alcoólica, através dos seus sentidos, visão, olfato, tato e do paladar".

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No entanto, nem todos os portugueses conhecem esta nova bebida. Para Hugo "nota-se claramente que existe uma falta de conhecimento do público português quanto a esta cerveja". E, na sua opinião, isto ocorre porque temos "vinho de grande qualidade" e é esta a bebida que escolhemos quando queremos despertar "sensações distintas e mais completas". Paula acha que há sempre algum desconhecimento, "mas os portugueses são muito curiosos e interessados e cada vez mais descobrem a Sovina".

Uma moda que já não é temporária começa agora a ganhar a atenção dos mais curiosos. Um fenómeno que vem para ficar e responder à procura de um produto diferenciado, com sabores e aromas distintos que se tornam cada vez mais marcantes na degustação da cerveja artesanal.